ADRAL alerta para risco de perda de 600 milhões de euros em fundos comunitários no Alentejo

Agência receia que crescimento desigual da região leve à saída dos territórios de convergência e a um impacto profundo no modelo de desenvolvimento.

A ADRAL, Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, manifesta preocupação face ao próximo quadro comunitário de apoio, alertando para o risco de o Alentejo poder sair do grupo dos territórios de convergência da União Europeia, onde o produto interno bruto se mantém abaixo dos 75% da média comunitária. Segundo João Grilo, presidente da entidade, em declarações à RTP, a riqueza gerada em Sines tem um peso significativo nas contas globais da região, podendo transmitir uma imagem de desenvolvimento que não reflete a realidade de grande parte do território.

De acordo com a ADRAL, esta leitura agregada ignora as profundas assimetrias internas, com diferenças impressionantes entre Sines e concelhos como Alandroal ou Barrancos, onde as dinâmicas económicas são muito mais baixas. A agência receia que, paradoxalmente, o crescimento registado em alguns polos leve à perda do estatuto de convergência, sem que o desenvolvimento tenha sido equilibrado e transversal a todo o Alentejo .

A eventual saída deste grupo poderá traduzir-se numa perda estimada de cerca de 600 milhões de euros em fundos comunitários, um montante que tem sido essencial para alavancar mais de mil milhões de euros em investimento público e privado na região. Municípios, empresas e outras entidades têm estruturado o seu crescimento com base neste apoio, pelo que uma redução abrupta obrigaria a uma alteração profunda do modelo de desenvolvimento regional. “Se, de um momento para o outro, ficarmos sem eles, teremos que mudar completamente o nosso modelo de crescimento e desenvolvimento”, considera João Grilo.

Outro motivo de inquietação prende-se com a intenção da Comissão Europeia de centralizar a gestão dos fundos, retirando essa competência às comissões de coordenação regionais. Para a ADRAL, esta abordagem afasta a decisão dos territórios de baixa densidade e aproxima-a de um modelo semelhante ao do PRR, considerado menos sensível às especificidades locais. A agência defende que este é o momento de alertar, debater e encontrar mecanismos de compensação, garantindo que a riqueza criada em polos como Sines possa efetivamente reverter para o conjunto da região e assegurar condições para a continuidade do crescimento do Alentejo.

Fonte: RTP

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