Dezembro puxou pela mortalidade no distrito de Évora e deixou 2025 ligeiramente acima de 2024

Com 2.336 óbitos, 2025 terminou praticamente empatado com 2024 no distrito de Évora, mas consolidou uma subida clara face a 2015, num ano marcado pelo pico de dezembro.

Em 2025, o distrito de Évora registou 2.336 óbitos. O número é muito próximo do verificado em 2024, com mais 12 mortes no total anual, mas fica mais distante de 2015, ano em que se contabilizaram 2.174, menos 162 do que em 2025. São diferenças que, no papel, parecem pequenas ou grandes conforme o termo de comparação, mas que, no quotidiano, se traduzem sempre na mesma realidade: pessoas que faltam e famílias em luto.

A proximidade entre 2025 e 2024 esconde, no entanto, um detalhe decisivo. O último mês do ano destoou: dezembro de 2025 registou 235 óbitos, mais 35 do que em dezembro de 2024. Sem esse aumento, 2025 teria terminado abaixo do ano anterior. Antes disso, o ano foi feito de avanços e recuos: janeiro começou mais baixo do que em 2024 (244 contra 264) e a primavera manteve-se, em geral, contida, mas fevereiro subiu de forma clara (201 face a 163). No verão, julho e agosto voltaram a colocar 2025 ligeiramente acima de 2024, enquanto o outono voltou a aliviar. A história do total anual, por isso, faz-se menos de uma escalada contínua e mais de um equilíbrio instável, desfeito no fecho do ano.

Quando a comparação recua até 2015, a diferença não está apenas no total, mas na forma como o ano se distribui. Em 2015, o primeiro trimestre foi particularmente pesado: janeiro e fevereiro atingiram 290 e 241 óbitos, valores superiores aos de 2025 (244 e 201). Em 2025, pelo contrário, a maior distância face a 2015 surge a partir da primavera e acentua-se no verão: agosto soma 202 óbitos, mais 53 do que em 2015. Também dezembro volta a destacar-se, com mais 42 mortes do que no mesmo mês de 2015.

O gráfico de mortalidade na região de saúde do Alentejo, atualizado no início de janeiro de 2026, reforça a ideia de sazonalidade e de oscilações rápidas. As linhas relativas a 2024 e 2025 caminham muitas vezes próximas, com variações diárias e picos pontuais, mas tornam-se mais tensas no período de inverno. Nota-se uma subida mais evidente no final de dezembro e no arranque de janeiro, um movimento que ajuda a enquadrar o pico mensal observado no distrito. Ainda que o gráfico seja regional e não exclusivamente de Évora, o padrão é compatível com a leitura do ano: um final mais carregado.

Os números são disponibilizados através da vigilância eletrónica de mortalidade em tempo real, suportada pelo SICO, “instituído pela Lei nº 15/2012 de 3 de Abril”. Trata-se de um sistema que “atualiza-se automaticamente em intervalos de 10 minutos” e em que “os dados apresentados são provisórios e destinam-se à utilização em planeamento de saúde”. Este enquadramento é relevante porque lembra que pode haver pequenos acertos, mas também porque sublinha a finalidade prática destes registos: acompanhar tendências, antecipar momentos de maior pressão e apoiar decisões no terreno.

No distrito de Évora, 2025 termina, assim, com uma mensagem clara nos números: o total anual quase não mudou face a 2024, mas o fim do ano pesou mais, e a distância para 2015 confirma que a mortalidade recente se mantém num patamar superior. Por trás da estatística, fica um dado incontornável: cada unidade nesta contagem representa uma vida que se encerrou e um círculo que teve de recomeçar sem ela.

Dados: SICO eVM

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