Se alguém ainda duvidasse de que as 12 casas da Malagueira iam dar mais pano para mangas do que um simples texto no Facebook, o vídeo de ontem tratou de o confirmar. No sábado, Carlos Pinto de Sá, antigo presidente da Câmara de Évora pela CDU, publicou um texto onde reclamava a autoria política do investimento. No dia seguinte, João Oliveira surge em registo em vídeo a repetir a mesma leitura e a apontar o executivo socialista de Carlos Zorrinho. Em apenas um dia, a publicação soma mais de 11 mil visualizações e meio milhar de reacções.
Logo na abertura do vídeo, o vereador resume o argumento central. “As 12 casas que foram recentemente entregues ao bairro da Malagueira são o resultado do trabalho que a CDU fez no anterior mandato autárquico, infelizmente um trabalho que está agora a ser comprometido pelo tal executivo do PS.” A ideia segue de perto o enquadramento que Pinto de Sá já tinha deixado no texto de sábado, agora com outro rosto e outro formato, mas com o mesmo alvo político.
João Oliveira insiste depois na noção de legado. Recorda que “aquelas 12 casas estiveram fechadas durante cerca de 20 anos” e que terá sido o anterior executivo da CDU a recuperar os fogos e a colocá-los “à disposição de famílias” em situação de fragilidade social ou sem capacidade para arrendar casa no mercado. Explica que “esse investimento foi um investimento feito por iniciativa da CDU, por intervenção da Habévora, com financiamento do PRR, num investimento que ronda 1,4 milhão de euros”, inserido num conjunto mais vasto de projetos preparados no âmbito do plano local de habitação.
A crítica não se fica pela fotografia da entrega das chaves. Segundo o vereador, da discussão entre o atual executivo da Câmara e o Governo resultará “o abandono dessa linha de financiamento do PRR” e o desvio das intervenções na habitação para outro tipo de financiamento, o que, avisa, poderá comprometer o plano local de habitação. Com esta acusação, a CDU tenta marcar terreno e antecipar a discussão sobre o rumo da estratégia municipal para o setor.
No vídeo, o partido procura também mostrar que fala a partir do quotidiano de quem procura casa. “A CDU continuará ao lado das populações, ao lado dos eborenses, a lutar por soluções que garantam não apenas o acesso à habitação para quem está numa situação de sem-abrigo ou de necessidade social, mas também para (…) famílias que, tendo um emprego e tendo uma vida estabilizada, por isso simplesmente não conseguem encontrar uma solução de arrendamento”, afirma João Oliveira, apresentando o plano local de habitação como caminho que não deve ser desviado.
Para quem acompanha a política, a sequência é fácil de reconhecer. No sábado, o texto de Carlos Pinto de Sá no Facebook. Ontem, o vídeo de João Oliveira a dizer praticamente o mesmo, em versão curta e “amigável” de redes. Pelo caminho, regressa a velha piada da “cassete” aplicada ao PCP, rótulo que os comunistas rejeitam mas que ganha força sempre que o guião se repete quase palavra por palavra. Desta vez, o refrão é simples: “as 12 casas da Malagueira não são obra do PS”.
Fonte & Fotos: Facebook CDU Évora
É extraordinário o alarido sobre as 12 casas entregues. O que os ex autarcas deveriam estar a explicar é uma ausência total de estratégia para que o parque de unidades de alojamento novas, não esteja minimamente alinhada com as necessidades da cidade. O ano de 2027 avizinhasse e traz entregáveis significativos para o desenvolvimento da nossa cidade: o novo hospital (projeto com forte atratividade de quadros do sector da saúde para a cidade), a linha Ferroviária que ligará facilmente Évora a Espanha e que hoje já permite que se chegue a Lisboa em menos de 90m (potenciando atratividade para quadros profissionais em regime hibrido ou remoto), a capital europeia da cultura (que deveria criar atratividade para criadores artísticos e afins). Como é que a edilidade irá responder a todas estas oportunidades ? que planos integrados existem com o objetivo de responder com qualidade a uma procura de habitação que irá, com toda a certeza surgir ? Évora tem, devido à sua localização, condições para se transformar numa cidade ainda de maior referência nacional e internacional. Esta disputa mesquinha em relação aos louros a atribuir pela magnifica façanha de colocar mais 12 casas no pequeníssimo mercado imobiliário da cidade, é uma prova insofismável de que assim não vamos lá !!!!!!!!