O Alentejo brilhou no Doclisboa 2025, com dois filmes profundamente enraizados na paisagem e na identidade da região a conquistarem o reconhecimento do júri. Na competição portuguesa, “Água Mãe”, de Rossana Torres e Hiroatsu Suzuki, venceu o Prémio DocLisboa para Melhor Filme, enquanto “As Estações”, de Maureen Fazendeiro, recebeu o Prémio Sociedade Portuguesa de Autores do júri da competição portuguesa, consolidando o protagonismo alentejano na cinematografia nacional contemporânea.
Filmado em Mértola, “Água Mãe” é um exercício de contemplação e serenidade que transforma o rio Guadiana em espelho do tempo e da memória. O documentário, rodado a dois, é descrito como “um oásis de calmaria e observação à volta de longos planos fixos”, captando o pulsar de uma terra onde a natureza dita o ritmo da vida. Esta é já a segunda vitória da dupla Torres–Suzuki no Doclisboa, depois de “Terra”, em 2018, confirmando a continuidade de um olhar poético sobre o território alentejano.
Já “As Estações” é o resultado de uma década de trabalho da realizadora Maureen Fazendeiro, que reinventou o Alentejo através de um “documentário do imaginário”. Inspirado no trabalho arqueológico do casal alemão Vera e Georg Leisner, o filme transforma a região num palimpsesto de camadas históricas, ficcionais e poéticas, onde o passado e o presente se cruzam numa narrativa em espiral.
Ambos os filmes refletem um Alentejo plural, entre o real e o simbólico — o da paisagem líquida de Mértola, em “Água Mãe”, e o das camadas arqueológicas e narrativas, em “As Estações”. O júri da Competição Portuguesa, composto por Ellie Ga, Jesse Cumming e Truong Minh Quy, destacou precisamente essa busca de comunidade e comunicação, distinguindo duas obras que encontram no território alentejano o ponto de partida para pensar o cinema e a vida.
Com estas distinções, o Doclisboa 2025 reafirma o Alentejo como um espaço fértil de criação artística, onde o olhar dos cineastas estrangeiros e nacionais se encontra para revelar novas formas de habitar, ouvir e imaginar o interior português.
Fonte & Foto: Doclisboa