Encontro de Teatro em Évora arranca com a Galiza como inspiração

Festival promovido pelo CENDREV celebra o diálogo ibérico e destaca a vitalidade do teatro galego contemporâneo.

O Teatro Garcia de Resende, em Évora, volta a ser palco de um dos momentos altos da vida cultural alentejana com o arranque, este domingo, do Encontro de Teatro promovido pelo Centro Dramático de Évora (CENDREV). Durante três dias, a histórica sala centenária acolhe criadores, companhias e instituições de Portugal e Espanha, com o propósito de “promover o diálogo e a cooperação cultural ibérica”.

Este ano, o festival “volta-se para norte” e dedica a sua programação à Galiza, região cuja “vitalidade artística e teatral tem sido uma das mais estimulantes do panorama ibérico contemporâneo”, segundo sublinhou o CENDREV em comunicado. A edição de 2025 propõe-se ser um espaço de partilha artística, reflexão crítica e encontro entre linguagens e geografias.

O encontro abre no domingo, às 16:00, com “Um Sonho”, de August Strindberg, a mais recente coprodução do CENDREV com A Escola da Noite, de Coimbra. Com encenação de António Augusto Barros, que assina também a cenografia, juntamente com João Mendes Ribeiro e Luísa Bebiano, o espetáculo conta com um elenco de 11 intérpretes, música de Carlos Meireles e desenho de luz de António Rebocho.

Na segunda-feira, às 15:00, realiza-se a conferência “O exemplo do Centro Dramático Galego como contributo para a reflexão sobre modelos de desenvolvimento regional”, que contará com intervenções de Fran Nuñez (diretor do Centro Dramático Galego), do musicólogo Rui Vieira Nery, de Ana Paula Amendoeira (vice-presidente da CCDR Alentejo), de Pedro Rodrigues (A Escola da Noite) e de Luis Miguel González Cruz (Teatro del Astillero).

O CENDREV destaca que este momento “propõe uma reflexão partilhada sobre o papel das instituições culturais na criação artística contemporânea, a articulação entre políticas públicas e liberdade criativa, e os desafios comuns que enfrentam Portugal, Espanha e, em particular, a Galiza”.

Às 19:00 do mesmo dia, sobe ao palco o ator Quico Cadaval, “figura incontornável da cena galega”, com o espetáculo “Complexo de Édipo”. A partir da tragédia clássica, Cadaval constrói “uma narrativa que mistura o conto tradicional de lareira, o teatro épico e o cabaret literário”, povoada por personagens que transitam entre o quotidiano popular e os mitos antigos.

O encerramento do encontro está marcado para terça-feira, às 19:00, com a atuação do Centro Dramático Galego, companhia pública da Galiza que celebra 40 anos de atividade. O grupo apresenta “A Serie Clopen”, encenado por Pablo Reboleiro e com dramaturgia de Clara Gayo e do próprio Reboleiro — uma criação multidisciplinar que cruza acrobacias, teatro físico, clown, dança e humor, refletindo sobre os desafios da juventude “em tempos de incerteza”.

Assim, Évora torna-se, por alguns dias, ponto de encontro de duas margens da cultura ibérica, onde o teatro, mais do que espetáculo, se afirma como ponte de diálogo e celebração partilhada.

Fonte & Foto: Cendrev

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