Entregue candidatura dos Tapetes de Arraiolos a Património Imaterial da Humanidade

Município entregou à Comissão Nacional da UNESCO o processo de candidatura dos tradicionais tapetes alentejanos, resultado de um longo trabalho de investigação e salvaguarda

O município de Arraiolos entregou à Comissão Nacional da UNESCO o processo de candidatura dos genuínos tapetes de Arraiolos a Património Cultural Imaterial da Humanidade, anunciou a autarquia. A submissão formal da documentação, intitulada “Processo de Confeção do Tapete de Arraiolos”, constitui um passo decisivo rumo ao reconhecimento internacional desta arte ancestral.

De acordo com a Agência Lusa, o município revelou ter concluído e entregue “toda a documentação” na segunda-feira, cabendo agora à Comissão Nacional definir o momento em que a candidatura será apresentada ao Comité do Património Mundial da UNESCO. A decisão final dependerá, assim, da escolha entre as várias candidaturas portuguesas atualmente em análise.

Segundo a autarquia, a entrega do processo representa o culminar de “um longo processo de investigação, estudo e desenvolvimento de medidas de salvaguarda”, no qual se incluíram entrevistas à comunidade e a produção de um documentário. Contactada pela Lusa, a presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Sílvia Pinto, sublinhou que esta arte é “um património de séculos”, nascido e preservado no coração do Alentejo, e que o objetivo é “valorizar este saber-fazer ancestral”.

A autarca destacou ainda que, embora o município seja o proponente formal, “esta é uma candidatura da população do concelho e das suas bordadeiras”, guardiãs do ponto e da tradição que distinguem o tapete arraiolense. Entre as propostas de salvaguarda incluídas no dossiê contam-se ações de formação sobre técnicas tradicionais, nomeadamente o ponto pé de flor, e a promoção de parcerias com artistas contemporâneos, num esforço de renovação criativa que não apaga a herança artesanal.

A candidatura integra também um estudo elaborado pelo historiador José Calado, que defende que Arraiolos é o berço histórico desta tapeçaria, fundamentando a sua origem nos finais do século XVI. Já em 2021, o processo de confeção do tapete de Arraiolos havia sido inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, um reconhecimento que agora procura alcançar dimensão global.

De acordo com investigações históricas, a arte do bordado de Arraiolos terá surgido entre as famílias mouriscas e judaicas expulsas de Lisboa no reinado de D. Manuel I. Fixadas na vila alentejana, encontraram ali lã abundante e plantas propícias ao tingimento, desenvolvendo uma técnica singular — o ponto cruzado oblíquo, conhecido como “bordado de Arraiolos” — que, mais de quatro séculos depois, continua a marcar a identidade e o prestígio artesanal de Portugal.

Fontes: CM Arraiolos, Lusa

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