Évora e Portalegre vivem realidades opostas no mercado de arrendamento

Enquanto Évora regista uma das maiores subidas na procura por arrendamento, Portalegre enfrenta uma quebra acentuada, espelhando dois ritmos distintos no coração do Alentejo.

O mercado de arrendamento em Portugal continua sob forte pressão, mas no Alentejo as tendências divergem. Segundo uma análise do idealista, no terceiro trimestre de 2025, Évora e Portalegre figuram entre as cidades com maior procura, embora por razões bem diferentes.

Na capital do distrito eborense, cada casa para arrendar recebeu, em média, 29 contactos antes de ser retirada da plataforma, um número que traduz um aumento de 12% face ao mesmo período do ano anterior. A cidade universitária, de alma patrimonial e crescente dinamismo económico, parece manter a sua atratividade, mesmo perante o aumento de 4,1% no preço das rendas a nível nacional.

Já em Portalegre, o cenário inverte-se: a cidade surge também entre as localidades com mais contactos por anúncio — cerca de 30 —, mas a procura caiu abruptamente 46% face a 2024, uma das maiores quebras do país. A retração pode refletir, segundo as tendências nacionais descritas pelo porta-voz do idealista, Ruben Marques, uma “maior disponibilidade de imóveis no mercado”, sem que isso signifique uma redução das dificuldades das famílias.

No contexto regional, estas duas cidades alentejanas ilustram bem a dualidade que atravessa o mercado de arrendamento em Portugal: um interesse que se mantém elevado, mas com sinais distintos conforme o território. Em Évora, a pressão da procura pode agravar a dificuldade em encontrar habitação a preços acessíveis; em Portalegre, o abrandamento pode traduzir-se numa pausa temporária num mercado mais frágil e de menor dimensão.

Ainda assim, ambas partilham um denominador comum: as rendas continuam fora do alcance de muitos portugueses, como sublinha o idealista, revelando que, apesar de alguma desaceleração na procura, a tensão habitacional está longe de se dissipar no Alentejo e no resto do país.

Fonte: idealista

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