A manhã desta sexta-feira ficou marcada pela apresentação oficial da petição pública que pretende instituir o Dia Nacional do Vagar. O ato simbólico, realizado nos nos Paços do Concelho de Évora, ficou registado na primeira assinatura do presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, e da presidente da Associação Évora 2027, Maria do Céu Ramos, que apelam agora à participação dos cidadãos.
Dirigida ao Presidente da Assembleia da República, a petição propõe que o Dia Nacional do Vagar seja celebrado anualmente a 6 de fevereiro. No documento, a Associação Évora 2027 recorda que “o Vagar, fortemente enraizado na cultura alentejana e conceito fundador de Évora_27, projeta-se como forma privilegiada de dar valor e sentido ao tempo”, sublinhando a relação entre este modo de estar e a construção de laços consigo próprio, com os outros e com o território.
A petição descreve o Vagar como atitude que confere profundidade ao tempo, favorecendo atenção, escuta, diálogo, autoconsciência, reflexão crítica, aprendizagem e transmissão de saberes, apresentados como “textura da identidade pessoal e cultural”. Ao mesmo tempo, afirma-se que “o Vagar é um antídoto face à aceleração contínua dos ritmos da vida contemporânea”, fenómeno identificado como estrutural e com impactos negativos na saúde mental, no bem-estar e na qualidade das relações sociais. A consagração de um Dia Nacional do Vagar é, por isso, apresentada como contributo para o aprofundamento de direitos educativos, sociais e culturais e para “uma sociedade mais equilibrada, sustentável e humanizada”.
A escolha de 6 de fevereiro não é casual. A data coincide com o início oficial de Évora_27 Capital Europeia da Cultura daqui a um ano, projeto que adotou o Vagar como conceito central.
À hora da publicação deste artigo, o apelo contava já com 250 assinaturas.
Fonte & Imagem: Évora_27