O Festival Futurama regressa ao Baixo Alentejo para a sua quinta edição, afirmando a região como “lugar de criação, partilha e imaginação artística”. Entre 15 e 30 de maio, o festival instala-se em Beja, Mértola e Alvito, com uma programação que cruza artes visuais, música, performance, teatro e palavra, distribuída por três fins de semana e com entrada gratuita. Trata-se de uma proposta que ocupa espaços culturais e patrimoniais, assumindo “programação única em cada geografia”, garante a organização.
Ao longo do ano, o Futurama desenvolve um trabalho continuado no território, cujos resultados são agora apresentados ao público. As residências artísticas e o programa Artistas nas Escolas dão origem a criações em colaboração com estudantes e comunidades locais, envolvendo instituições de ensino e estruturas sociais. Segundo a organização, estas iniciativas tornam visíveis projetos desenvolvidos com alunos e participantes, traduzindo um processo coletivo que cruza práticas contemporâneas e contextos educativos.
Em Beja, o arranque a 15 de maio faz-se com inaugurações e um concerto, prolongando-se no dia seguinte com oficinas, instalações e apresentações. Entre os momentos destacados está o projeto Cantexto, que apresenta novos poemas musicados e interpretados com grupos corais do Baixo Alentejo, bem como o espetáculo “Popular”, de Sara Inês Gigante, que parte da autoficção para questionar “os limites entre cultura de elite e cultura de massas, entre a artista e o público que ela quer, ou não consegue, conquistar”.
Já em Mértola, a 22 de maio, a programação concentra-se na freguesia de Algodôr, onde são apresentadas criações resultantes de residências artísticas com comunidades locais. Destaca-se a instalação de Ana Baleia, desenvolvida com a Universidade Sénior da ALSUD, e a performance de Mariana Tengner Barros, construída a partir do trabalho com jovens da ginástica acrobática e da escola de música. Coreógrafa com percurso internacional, a artista trabalha “a partir do corpo e do espetáculo da vida social”, num diálogo entre prática artística e experiência coletiva. O dia encerra com o Cantexto, envolvendo grupos de cante alentejano do concelho.
O encerramento acontece em Alvito, a 30 de maio, com um programa que inclui debate público, artes visuais e música. Entre os destaques está uma reflexão sobre a liberdade de criação artística em democracia, evocando o Artigo 42.º da Constituição, e uma instalação que cruza “expressionismo abstrato com materiais descartados e narrativas socialmente comprometidas”.
O Espaço Futurama, em Beja, mantém-se ativo ao longo de todo o ano como centro do projeto, onde, segundo a organização, “se constroem, ao longo dos meses, as ligações entre práticas contemporâneas e saberes do território”.
Fonte & Grafismo: Futurama