Garraia exige respostas: obra derrapa para 2027 e Câmara de Évora remete-se ao silêncio

Grupo cívico critica falta de resposta do município e confirma que obra definitiva só ficará concluída em 2027.

O grupo de moradores que, há dois meses, promoveu uma concentração e vigília para denunciar o erro de execução do atual acesso rodoviário à Garraia voltou agora a tomar a palavra, revelando novos desenvolvimentos e expressando frustração perante o que descreve como um processo “dinâmico”, mas estagnado nos seus pontos essenciais.

Num e-mail enviado ao O ALentejo, o GRIG.a – Proteção Civil sublinha que, a 28 de Novembro deste ano, teve lugar uma reunião na Câmara Municipal de Évora (CME), juntando representantes da autarquia, da Infraestruturas de Portugal (IP), da União de Freguesias de Bacelo e Senhora da Saúde (UFBSS), da Associação de Moradores da Garraia e do próprio grupo cívico. Foram cerca de 90 minutos marcados, segundo o relato, pela insistência na construção do novo viaduto – “que todos queremos que se construa”, dizem -, mas com pouca margem para discutir soluções provisórias que mitiguem os riscos até à conclusão da obra.

O que nesta reunião se tornou claro para os moradores foi a revisão, mais uma vez, do calendário da intervenção: o viaduto, antes prometido para 2024 e depois para 2026, só deverá ficar pronto no final de 2027. Ao mesmo tempo, foi reconhecido que o atual acesso “se constitui como um erro de construção” e que não foi sujeito às auditorias de segurança rodoviária previstas na lei, tendo sido ainda assim aberto à circulação.

No balanço apresentado pelo GRIG.a, ressalta um conjunto de notas que traduzem o clima vivido na reunião: “O silêncio da CME e da UFBSS. A intervenção curta e tímida da AMG. O ruído, a imposição e a maquinação da IP.” O grupo descreve ainda um “não” explícito e arrogante à correção imediata do atual acesso, elemento que tem alimentado a indignação de muitos residentes e reforçado o sentimento de impotência perante a demora das soluções.

Esta situação insere-se num problema já amplamente denunciado: o entroncamento em curva e com inclinação acentuada, construído em 2023 no âmbito do viaduto sobre a linha de alta velocidade Sines–Caia, tem sido apontado como perigoso por quem ali vive. Já ocorreram acidentes e, para sair da zona, os moradores são obrigados a percorrer quilómetros adicionais por uma estrada degradada, acumulando risco e desgaste no quotidiano de cerca de 500 pessoas.

Como em ocasiões anteriores, contactámos a Câmara Municipal de Évora para pedir esclarecimentos sobre esta reunião, sobre o novo calendário da obra e sobre as soluções transitórias reclamadas pelos moradores. Mais uma vez, não obtivemos qualquer resposta.

O GRIG.a assegura que prosseguirá a sua ação cívica em defesa do direito elementar à segurança rodoviária. E, nas palavras que encerram o comunicado, ressoa a firmeza de quem recusa baixar os braços: “Continuaremos… Somos pela Verdade.”

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