Grândola recebe ensemble polaco e revisita a génese de «Grândola, Vila Morena»

Festival Terras sem Sombra propõe, a 2 e 3 de maio, um programa que cruza música contemporânea, memória histórica e biodiversidade costeira.

O Festival Terras sem Sombra regressa a Grândola nos dias 2 e 3 de maio com uma programação que combina um concerto do ensemble polaco Art’n’Voices, uma visita orientada às origens de «Grândola, Vila Morena» e uma saída de campo aos sistemas dunares da costa alentejana. Todas as atividades são de acesso livre e gratuito.

A noite de sábado abre com «Fragmentos do Eu: Oito Vozes, Uma Alma», agendado para as 21h30 no Cine Granadeiro. O Art’n’Voices, uma das formações mais premiadas da nova geração a cappella europeia, acumula dez prémios Grand Prix em competições internacionais, incluindo o International a cappella Contest Leipzig em 2023, e o álbum Midnight Stories, distinguido com o Prémio Fryderyk em 2021. O programa centra-se em criação contemporânea, com arranjos que exploram as possibilidades tímbricas da voz e obras dos próprios elementos do grupo.

Na tarde de sábado, às 15h00, a historiadora Ana Paula Amendoeira orienta «Onde a Voz Ganhou Lugar: Zeca Afonso e “Grândola, Vila Morena”, Senha da Liberdade», com ponto de encontro no Memorial ao 25 de Abril. A atividade revisita a passagem de José Afonso por Grândola em maio de 1964, quando o músico contactou com as práticas de canto coletivo da Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, experiência que viria a moldar a estrutura musical da canção. Os fonogramas com a «Senha da Liberdade» foram recentemente classificados pelo Ministério da Cultura como Tesouro Nacional.

No domingo de manhã, às 9h30, o programa desloca-se às praias de Melides e Carvalhal para «Quando as Areias Florescem: Ecossistemas Dunares da Costa Alentejana», com orientação do investigador João Farminhão, da Universidade de Coimbra. A saída percorre parte de um itinerário botânico do naturalista francês Tournefort, que visitou Portugal no final do século XVII, e centra-se na flora psamófila e nos habitats litorais ameaçados por espécies invasoras e pela pressão do uso intensivo do litoral.

Fonte & Foto: Terras sem Sombra – Festival do Alentejo

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