Greve geral causa mal-estar na reunião da Câmara Municipal de Évora. Vereador do PSD diz que PCP está a desaparecer “e ainda bem”

“Não servem os trabalhadores, não servem as populações. Servem-se daquilo que é a política para os seus próprios benefícios”, afirmou o vereador Henrique Sim-Sim sobre o PCP.

A greve geral de 11 de dezembro de 2025 chegou à reunião da Câmara Municipal de Évora sob a forma de uma moção apresentada pela CDU. Em substituição de João Oliveira, Lília Fidalgo leu uma saudação à CGTP pela convocação da paralisação. Logo na discussão, Carlos Zorrinho, presidente da autarquia, pediu que a moção incluísse também a UGT, sublinhando a importância de reconhecer as duas centrais sindicais envolvidas na jornada de luta.

O vereador do Chega, Ruben Miguéis, começou por reconhecer o direito à greve como instrumento legítimo de reivindicação, mas avisou para os efeitos de uma paralisação geral na economia local e nos serviços públicos. Criticou a atuação de piquetes da CGTP que teriam impedido alguns trabalhadores de entrar ao serviço, defendendo que “um piquete deve ser informativo, não impeditivo de pessoas que queiram trabalhar” e lembrando que “há direito à greve, mas há o direito das pessoas também, quem quiser ir trabalhar”. Na mesma intervenção, insistiu que seria preferível à autarquia incentivar “discussões construtivas” entre trabalhadores, empregadores e Governo, em vez de saudar diretamente a greve.

O tom subiu com a intervenção do vereador Henrique Sim-Sim (PPD-PSD/CDS-PP/PPM), que declarou falar sob “três prismas”. Começou por sublinhar que “o direito à greve é um direito constitucionalmente instituído, um direito que assiste aos trabalhadores e que é importante salvaguardar sobre todos os prismas”, mas passou rapidamente à crítica política. Recordou que o país está a crescer, que o rendimento médio dos trabalhadores aumentou 6,7% em 2024, “o maior aumento do grupo da OCDE”, e que 21 carreiras foram descongeladas, incluindo professores, médicos e forças de segurança… Perante este cenário, questionou repetidamente “qual é a razão para existir uma greve?”, acusando a paralisação de ter “um forte pendor partidário de contestação”.

O vereador da coligação virou depois o foco para dentro da própria autarquia, acusando a CDU de ter deixado trabalhadores municipais, em particular na higiene e limpeza urbana, sem condições mínimas. Lembrou casos em que “os trabalhadores do lixo andam a tirar o lixo dos contentores com as próprias mãos” e situações de falta de gasóleo para abastecer viaturas, apontando buracos na via pública e falta de meios como resultado dessa gestão. Na sua leitura, a CDU e a CGTP estariam a “utilizar os trabalhadores para fazer uma arma de arremesso político contra o Governo”, uma posição “histórica do PCP que tem levado ao seu desaparecimento, e ainda bem”. “Não servem os trabalhadores, não servem as populações. Servem-se daquilo que é a política para os seus próprios benefícios”, acrescentou. A coligação anunciou por isso voto contra a moção, não por discordar do direito à greve, mas por considerar a iniciativa uma “armadilha política”.

Da parte do Partido Socialista, a posição foi distinta. Carlos Zorrinho anunciou que, assegurada a referência à UGT, o PS votaria a favor da moção enquanto saudação à greve geral, mas com uma fundamentação própria. O PS prometeu uma declaração de voto assente no princípio da concertação social, na “construção social” e no apelo ao diálogo entre parceiros. “Votamos a favor enquanto saudação à greve geral, mas faremos uma declaração de voto com fundamentos que são muito diferentes dos fundamentos desta moção”, afirmou.

Em resposta, a CDU insistiu que a greve geral de 11 de dezembro visou um pacote laboral do Governo do PSD que, na sua leitura, retira direitos aos trabalhadores e aprofunda a injustiça social, e não qualquer questão interna à Câmara Municipal de Évora.

No final, a moção de saudação à greve geral foi aprovada por 4 votos a favor e 3 contra, ficando registado o voto contra dos dois vereadores da coligação PPD-PSD/CDS-PP/PPM e do vereador do Chega.

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