De acordo com a Agência Lusa, o Grupo Pro-Évora reuniu-se com Diogo Ramada Curto, diretor-geral da Biblioteca Nacional de Portugal, para expor “diversas necessidades e urgências” que afetam a Biblioteca Pública de Évora (BPE), instituição bicentenária que será um dos rostos culturais da cidade durante a Capital Europeia da Cultura em 2027. A associação sublinha que o evento deverá atrair um elevado número de visitantes e que a BPE deve ser tratada como prioridade pelo Ministério da Cultura.
Entre os problemas apontados, o mais premente é o das infiltrações de água no interior do edifício, que, segundo o Grupo Pro-Évora, persistem apesar de uma renovação total do telhado promovida pela anterior direção da BNP em 2018, obra que se mostrou, nas palavras do comunicado, “ineficiente, mantendo-se o problema das infiltrações”. O diretor da BNP terá já iniciado o processo de intervenção, mas a associação alerta que o financiamento do projeto e das obras é uma responsabilidade que o Ministério da Cultura não pode adiar.
O grupo chamou também a atenção para a inexistência de elevador na biblioteca, uma irregularidade que prejudica cidadãos com mobilidade reduzida e o próprio serviço interno, e para a situação do espólio depositado num armazém da antiga Manutenção Militar, cedido pelo Ministério da Defesa, que a BPE terá de desocupar. O Grupo Pro-Évora afirma que esse material se encontra em condições muito precárias e propõe que sejam utilizados imóveis do Estado na cidade para acolher o acervo, reclamando uma decisão urgente.
A associação apontou ainda carências de recursos humanos e a necessidade de mesas digitais de leitura, cuja ausência “impede um acesso fácil e didático aos muitos documentos antigos digitalizados”, dificultando tanto investigadores como visitantes.
A Biblioteca Pública de Évora foi criada por Frei Manuel do Cenáculo e beneficia do Depósito Legal desde 1931. Com 220 anos de existência, o seu espólio inclui 664 incunábulos e 6.445 livros impressos do século XVI, além de importantes núcleos de manuscritos, cartografia, música impressa e numerosos títulos de publicações periódicas, um património cuja salvaguarda, defende o Grupo Pro-Évora, exige respostas públicas céleres e sustentadas antes de Évora receber as atenções de 2027.
Fonte: Lusa | Foto: Biblioteca Pública de Évora