O Ministério Público acusou quatro pessoas pela alegada exploração patrimonial de uma mulher de 84 anos, residente num lar de idosos em Évora. Os crimes imputados incluem burla qualificada, falsidade informática, falsidade de documento e branqueamento de capitais, num caso em que a vítima, dada a sua situação de especial vulnerabilidade, terá sido sistematicamente enganada ao longo do tempo.
De acordo com a acusação deduzida pelo DIAP de Évora, três dos arguidos, uma mãe e os seus dois filhos, com idades entre os 25 e os 60 anos, terão “delineado um plano que consistiu em ganhar a proximidade e confiança da vítima”, aproveitando-se do facto de ela se encontrar institucionalizada num lar de idosos. A partir daí, os três “apropriam-se do património daquela, fazendo uso de cartão bancário a débito, movimentando a seu bel-prazer a conta bancária da vítima” e utilizando o dinheiro para despesas próprias.
O esquema foi mais longe com a intervenção de uma quarta arguida, advogada de profissão, que terá participado na obtenção de uma procuração falsificada. O documento, segundo a acusação, “foi obtido mediante engano e sem o devido esclarecimento da vítima”, e atribuía poderes a uma das arguidas para administrar, doar ou vender livremente o património da idosa. Com base nessa procuração, os arguidos acederam às poupanças da mulher e venderam um imóvel que lhe pertencia, causando-lhe “um prejuízo não inferior a 400.000 euros”.
O Ministério Público promoveu ainda a declaração de perda a favor do Estado das vantagens patrimoniais ilicitamente obtidas, tendo sido apreendidos durante a investigação “diversos ativos patrimoniais sobre a disponibilidade dos arguidos”. A investigação foi conduzida pela 1.ª secção do DIAP de Évora com a colaboração da Polícia Judiciária de Évora.
Fonte: Procuradoria-Geral Regional de Évora