O secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, reuniu-se esta quarta-feira, 14 de maio, com o executivo da Câmara Municipal de Mértola para discutir o enquadramento estratégico do concelho no programa MAR 2030, num encontro marcado pela defesa do Guadiana como eixo central de desenvolvimento sustentável no interior do país.
A reunião surge na sequência da recente audição na Comissão de Agricultura e Pescas e deu continuidade ao diálogo sobre os desafios ligados à utilização dos fundos europeus destinados aos setores da pesca, aquicultura e assuntos marítimos no âmbito do Portugal 2030. Entre os temas em análise esteve a necessidade de adaptar os instrumentos do MAR 2030 à realidade dos territórios de baixa densidade e das comunidades piscatórias do interior.
Durante o encontro, foi destacada a importância da pequena pesca artesanal do Guadiana, apresentada como uma atividade de forte valor territorial e cultural. Segundo a autarquia, foi defendida “a necessidade de adequar os instrumentos do MAR 2030 à realidade dos rios interiores e territórios de baixa densidade”, garantindo apoios ajustados às especificidades locais.
A componente ambiental ocupou igualmente parte central da reunião, sobretudo perante os efeitos das alterações hidrológicas e ecológicas associados ao sistema de Alqueva e aos fenómenos climáticos extremos registados nos últimos tempos. As recentes cheias no concelho de Mértola motivaram uma reflexão sobre a monitorização permanente do rio, o restauro das margens ribeirinhas e a melhoria das condições de navegabilidade e segurança fluvial.
No encontro foi ainda apresentada a estratégia “Do Rio ao Território”, integrada na visão do Guadiana Interior como laboratório vivo de Economia Azul Sustentável. O documento propõe um modelo de desenvolvimento articulado entre conservação da natureza, pesca artesanal, ciência, inovação e turismo fluvial, procurando posicionar o território como referência nacional em contexto interior.
A estratégia estrutura-se em cinco grandes eixos, que incluem a conservação ecológica do Guadiana, a valorização alimentar do peixe do rio, o turismo náutico sustentável, a bioeconomia azul e a cooperação territorial transfronteiriça. Entre os projetos previstos surgem iniciativas ligadas à monitorização ambiental do rio, à criação de infraestruturas de apoio à pesca artesanal e à dinamização da Estação Náutica de Mértola.
Outro dos pontos destacados foi o papel da Estação Biológica de Mértola, considerada uma infraestrutura científica estratégica para investigação aplicada e transferência de conhecimento. No final da reunião, o executivo municipal reiterou a importância de “um reconhecimento político e programático do Guadiana enquanto território singular”, defendendo uma abordagem diferenciada que permita reforçar a coesão territorial e promover um desenvolvimento sustentável no interior alentejano.
Fonte & Foto: Câmara Municipal de Mértola