O Governo garante que dentro de um ano estarão a circular comboios de mercadorias e de passageiros na nova linha ferroviária de Évora, considerada a maior obra ferroviária realizada em Portugal nos últimos 100 anos. O anúncio foi feito pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação durante uma visita técnica ao troço, numa altura em que os trabalhos estruturais já estão concluídos.
Segundo o Jornal de Negócios, Miguel Pinto Luz sublinhou que “via e catenária estão concluídas”, explicando que o próximo passo passa pela sinalização e certificação de segurança. “Temos mais um ano pela frente para a sinalização e certificação em termos de segurança”, afirmou o governante, acrescentando que será “no final deste ano, princípio do próximo ano” que os comboios começarão efetivamente a circular.
A nova infraestrutura permitirá reduzir em 140 quilómetros o percurso ferroviário entre o porto de Sines e a fronteira com Espanha, sendo um dos principais investimentos do plano Ferrovia 2020. O ministro classificou o momento como “um dia histórico” e destacou o impacto estrutural da obra, orçada em cerca de 460 milhões de euros, na competitividade do transporte ferroviário nacional.
De acordo com o Jornal de Negócios, Pinto Luz frisou ainda que esta é a primeira linha ferroviária em Portugal preparada para velocidades até 250 km/hora, o que permitirá uma redução significativa dos tempos de viagem. Recordou também o acordo entre Portugal e Espanha para alcançar Madrid em três horas em 2034, salientando que já em 2028 ou 2030 será possível fazer o trajeto em cinco a cinco horas e meia, um cenário “nos antípodas do que existia até agora”.
Apesar de um atraso acumulado de seis anos, uma vez que a conclusão chegou a estar prevista para 2021, o ministro destacou o “enorme consenso nacional” em torno da obra. Inicialmente pensada para mercadorias, a linha terá utilização mista, com passageiros e carga, sendo que a CP “tem vindo a trabalhar nesse sentido”. Para o governante, a ferrovia assume um papel central na resposta às exigências ambientais e económicas, nomeadamente na redução dos voos de curta distância, abaixo dos 600 quilómetros.
Fonte: Jornal de Negócios