A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) voltou a emitir uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável à central solar fotovoltaica prevista para a região do Alqueva, levando os investidores a avançarem com uma reclamação administrativa, avança o Expresso. Trata-se do segundo chumbo ao projeto, depois de uma reformulação significativa apresentada na sequência de exigências ambientais já apontadas em 2024.
Promovido pela Lightsource bp, em parceria com a FVC Group e a INSUN, o investimento, estimado em 350 milhões de euros, é descrito pelos responsáveis como estratégico para a região. Em comunicado citado pelo Expresso, os promotores consideram que a avaliação do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas “coloca em risco investimento de 350 milhões de euros em energias renováveis e turismo no Alentejo”, sublinhando ainda que a decisão “ignora medidas de mitigação” e poderá conduzir a uma maior perda de habitat.
O projeto, em desenvolvimento há cerca de sete anos, foi entretanto revisto, reduzindo a área e a capacidade instalada. A nova proposta aponta para 388 megawatts, distribuídos por 468,4 hectares, menos 27% face à configuração inicial. Os promotores sustentam que esta reformulação resultou de um trabalho conjunto com entidades públicas, incluindo a própria APA e o ICNF, com o objetivo de responder às preocupações ambientais identificadas.
Apesar dessas alterações, a decisão negativa mantém-se, com base num parecer que destaca riscos para uma colónia de morcegos localizada a cerca de 1,5 quilómetros da área prevista. Os investidores contestam esta leitura, argumentando que foram previstas medidas de mitigação para uma área mais alargada e que estas foram validadas por entidades científicas. Na mesma comunicação, consideram que “constitui um revés significativo para o desenvolvimento económico, energético e turístico do Alentejo”.
A inviabilização do projeto energético poderá ainda comprometer um investimento turístico associado, estimado em 50 milhões de euros, destinado ao concelho de Moura. Os promotores alertam que, mesmo sem a central, existe autorização para o abate de uma área significativa de olival, o que poderá resultar numa perda de habitat sem as contrapartidas ambientais previstas no projeto.
Este novo episódio surge num contexto de crescente contestação a projetos energéticos no Alqueva. Ainda este mês, como noticiado anteriormente, a Câmara Municipal de Mourão reiterou o seu parecer desfavorável à instalação de uma central solar flutuante na albufeira, alertando para impactos ambientais e turísticos. A posição insere-se numa preocupação mais ampla dos autarcas da região, que têm defendido uma transição energética “equilibrada e sustentável”, capaz de conciliar produção de energia com a preservação do território e da paisagem alentejana.
Fontes: Expresso | Foto: EDIA