A derrocada parcial de uma estrutura nos celeiros da EPAC marcou os trabalhos em curso no âmbito dos investimentos materiais associados à Capital Europeia da Cultura em Évora, com o presidente da Câmara Municipal, Carlos Zorrinho, a admitir um “grande contratempo” que está agora a ser alvo de avaliação técnica.
No início da reunião do executivo desta quinta-feira, Zorrinho revelou que, durante a fase de consolidação, “houve uma abóbada dos celeiros da EPAC que caiu”, situação que obrigou à realização de estudos técnicos para definir a solução a adotar.
Apesar do incidente, o autarca procurou enquadrar o episódio como parte de uma fase crítica da intervenção, sublinhando que a consolidação estrutural era precisamente o objetivo inicial da obra. “Vimos bem agora como ela era necessária”, afirmou, acrescentando que estão a ser analisadas várias soluções técnicas para ultrapassar o problema.
O projeto integra uma primeira fase de estabilização do edifício, à qual se deverá seguir uma segunda candidatura, enquadrada no Portugal 2030, destinada ao equipamento e futura utilização dos celeiros como espaço cultural. Zorrinho indicou que o objetivo se mantém: recuperar o imóvel para funções culturais, apesar do imprevisto.
O presidente da câmara reconheceu a dimensão do incidente, classificando-o como “grande contratempo”, mas sublinhou o esforço em mitigá-lo: “estamos a tentar torná-lo pequeno e ultrapassá-lo”.
Concurso do Arquivo deserto e Rossio em avanço
No mesmo ponto de situação sobre investimentos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Zorrinho destacou a evolução positiva do projeto do Rossio, em contraste com dificuldades noutros dossiês.
Segundo explicou, o denominado “Rossio 1” já recebeu propostas consideradas fortes, encontrando-se em fase de adjudicação, o que, afirmou, permite antever a concretização da obra. Já o “Rossio 2” está em fase de candidatura.
Em sentido inverso, o concurso para a recuperação do arquivo municipal ficou deserto, obrigando o município a procurar alternativas. O presidente da autarquia admitiu a intenção de avançar para ajuste direto, apesar das limitações impostas pelos prazos e pelos tetos financeiros do PRR.
Zorrinho enquadrou estas dificuldades no contexto mais amplo dos projetos financiados por este instrumento, salientando que os prazos curtos e a rigidez financeira têm afastado potenciais concorrentes. As obras, recordou, têm de estar faturadas até junho e concluídas até agosto, o que, aliado ao aumento dos custos de construção, tem reduzido a atratividade dos concursos.
“Provavelmente foi porque o binómio tempo-financiamento não é interessante”, admitiu, referindo-se à ausência de propostas para o arquivo, mas garantindo que o município irá “tentar o máximo” para viabilizar a intervenção dentro das condições existentes.