Observatório pede mais investimento público nos concelhos com forte presença migrante

O Alentejo surge no relatório como um dos territórios centrais da “nova geografia migratória”, com concelhos marcados pela agricultura superintensiva e pela dependência de mão de obra estrangeira.

O Observatório das Migrações (OM) defende ser “fundamental reforçar a capacidade institucional dos municípios com forte crescimento da população estrangeira” e pede mais investimento público nos concelhos do interior com maior presença de imigrantes, para prevenir riscos sociais.

Segundo a Lusa, no documento os autores reclamam também mais “fiscalização laboral” e respostas com “habitação digna e transporte”, sublinhando que os dados migratórios devem entrar “em tempo real no planeamento da saúde, da educação e da habitação”.

O relatório alerta para “sobrecarga dos serviços públicos locais”, precarização do trabalho migrante em territórios rurais e tensões ligadas à segregação residencial, avisando que a falta de respostas ajustadas pode “agravar desigualdades territoriais” e fragilizar a coesão social.

Em 2024, a população estrangeira residente em Portugal chegou a 1.543.697 e “deixou de se concentrar exclusivamente nas grandes áreas metropolitanas”, descreve o OM, referindo uma dependência crescente em sectores como agricultura, turismo, indústria, logística e cuidados.

No Alentejo, “concelhos como Odemira, Ferreira do Alentejo, Beja e Serpa” são destacados como centrais na agricultura superintensiva e na produção agroexportadora, num quadro em que a limitada capacidade municipal e a escassez de inspeções podem aumentar a vulnerabilidade a exploração laboral e a situações de “habitação indigna”.

Fonte: Lusa

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