Os municípios do distrito de Évora entram em 2026 com documentos orçamentais marcados por uma gestão cautelosa, fortemente condicionada pelo peso da despesa corrente, pela necessidade de cumprir compromissos herdados e pela dependência do financiamento comunitário para viabilizar investimentos estruturantes. Ainda assim, a habitação, a regeneração urbana, as redes de água e saneamento, a mobilidade e os equipamentos públicos assumem-se como prioridades transversais num território que procura conciliar rigor financeiro com desenvolvimento sustentável.

No Alandroal, o orçamento de 17,4 milhões de euros assinala um momento de viragem, ao ser o primeiro elaborado sem as restrições do Plano de Ajustamento Municipal desde 2016. A autonomia financeira recuperada é, contudo, gerida com prudência, face à amortização anual do empréstimo ao FAM. A redução do IMI, os benefícios fiscais dirigidos a grupos específicos e a aposta na habitação, no património histórico e em investimentos apoiados pelo PRR e pelo Alentejo 2030 definem o enquadramento estratégico para 2026.
Em Arraiolos, o orçamento ronda os 17,2 milhões de euros, com uma clara orientação para a habitação a custos controlados e para a regeneração urbana em várias freguesias do concelho. Projetos como o Polo de Oportunidades Empresarial e Tecnológico, a valorização do património histórico e a criação de novos loteamentos refletem uma estratégia centrada na coesão territorial e no desenvolvimento sustentável, mantendo-se estáveis as taxas municipais.
O concelho de Borba apresenta um orçamento superior a 18,3 milhões de euros, ligeiramente acima do exercício anterior. A remodelação da rede de abastecimento de água, a construção do novo posto territorial da GNR, a Estratégia Local de Habitação e a requalificação de equipamentos escolares e desportivos concentram a maior fatia do investimento, num quadro de continuidade fiscal e de atenção à taxa de execução.
Em Estremoz, o Orçamento Municipal para 2026 ascende a cerca de 26,1 milhões de euros, evidenciando um crescimento expressivo da despesa corrente, que totaliza 19,855 milhões de euros, o equivalente a 76% do orçamento. O aumento face a 2025 é particularmente visível nas rubricas de pessoal e aquisição de bens e serviços, enquanto a despesa de capital regista apenas um acréscimo residual. Apesar de integrar áreas como água, desporto, habitação, turismo e requalificação urbana, vários projetos surgem sem financiamento claramente definido, num ano marcado também pelas comemorações do centenário da elevação de Estremoz a cidade.
Já Mora apresenta um orçamento de 12,1 milhões de euros, fortemente condicionado pelo peso das despesas correntes. O executivo sublinha o equilíbrio financeiro alcançado e admite uma futura revisão orçamental, sustentada por um saldo de gerência superior a dois milhões de euros, que poderá permitir reforçar o investimento ao longo do ano.
Em Portel, o orçamento aproxima-se dos 18 milhões de euros, destacando-se como principal investimento a construção do parque de exposições e feiras. O município mantém o IMI na taxa mínima legal e aposta na educação, na ação social, na eficiência energética e na requalificação urbana como pilares do desenvolvimento local.
O município de Redondo opta por um orçamento mais contido, de 14,8 milhões de euros, assente numa forte contenção da despesa corrente. A pavimentação de arruamentos e estradas municipais constitui o investimento mais significativo, a par de projetos de habitação, equipamentos sociais, zona industrial e valorização do património. Mantêm-se a taxa mínima de IMI, a isenção de derrama e uma participação reduzida no IRS.
Em Vendas Novas, o orçamento para 2026 situa-se na ordem dos 17,2 milhões de euros, refletindo uma estratégia de realismo orçamental e de reforço da taxa de execução dos investimentos. A habitação, o parque escolar, a mobilidade urbana, as respostas sociais e a cultura, com destaque para o projeto ALMA, assumem centralidade num quadro de continuidade das principais políticas municipais.
Por sua vez, Vila Viçosa apresenta um orçamento de cerca de 16,6 milhões de euros, apostando na continuidade do investimento público. Água e saneamento, incubação empresarial e requalificação de equipamentos municipais definem as prioridades, consolidando uma trajetória de crescimento financeiro e de reforço da capacidade de intervenção do município.
Destaque ainda para Viana do Alentejo, que regressa em 2026 à normalidade orçamental, após dois anos de gestão com base no orçamento de 2023. O documento agora aprovado fixa-se nos 17,9 milhões de euros e encontra-se condicionado por compromissos assumidos anteriormente. A construção do novo quartel da GNR surge como o investimento mais relevante, acompanhada por intervenções em equipamentos escolares, espaços públicos e regeneração urbana, mantendo-se o IMI na taxa mínima legal e a participação no IRS nos 2,5%.
Em Reguengos de Monsaraz, o orçamento municipal para 2026 fixa-se em 22,4 milhões de euros, posicionando o concelho entre os de maior dimensão financeira no distrito. A despesa corrente ascende a 17,4 milhões de euros, garantindo o funcionamento dos serviços municipais e um reforço da despesa com pessoal. O Plano Plurianual de Investimentos, com cerca de 5 milhões de euros, concentra-se em projetos estruturantes, muitos deles dependentes de financiamento comunitário, com particular enfoque na coesão territorial e na descentralização do investimento pelas freguesias. Mobilidade sustentável, redes de água e saneamento, requalificação do espaço público, habitação no âmbito do Programa 1.º Direito, educação, inovação e valorização do património local surgem como áreas prioritárias, num documento marcado pelo rigor financeiro e pelo controlo da execução.
À data da publicação deste artigo, continuavam por divulgar os respetivos dados orçamentais os municípios de Évora, Montemor-o-Novo e Mourão.
No conjunto, os orçamentos municipais para 2026 traçam um retrato de governação local assente no rigor financeiro, na seletividade do investimento e numa atenção crescente às necessidades estruturais das populações, num distrito que procura afirmar-se pela estabilidade, pela coesão social e pela valorização do território alentejano.