O PCP acusa PS e PSD de recorrerem a “manobras de ilusionismo político” na revisão da dotação financeira destinada à modernização, requalificação e eletrificação da linha ferroviária entre Casa Branca e Beja. Em comunicado da Direção Regional do Alentejo, o partido denuncia tentativas de desviar atenções quanto aos atrasos acumulados e às responsabilidades partilhadas dos dois partidos do arco da governação, sublinhando que se trata de uma intervenção há muito reivindicada pelas populações da região. De acordo com a Agência Lusa, a verba prevista no âmbito do programa Alentejo 2030 foi revista de cerca de 80 milhões de euros para 20 milhões.
A decisão foi comunicada numa reunião realizada a 2 de dezembro, em Évora, entre a comissão diretiva do Alentejo 2030, a Infraestruturas de Portugal e a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo. Posteriormente, o presidente da CCDR do Alentejo, António Ceia da Silva, explicou que o programa não podia manter a dotação inicial por considerar que a obra “não era exequível” no atual quadro comunitário de apoio, que termina em 2027.
Para o PCP, a modernização da linha Casa Branca–Beja, a ligação ao Aeroporto de Beja e a eletrificação da ligação a Funcheira são investimentos estruturantes sistematicamente adiados. O partido sustenta que a redução em 60 milhões de euros resultou de uma reprogramação aprovada no Comité de Acompanhamento do Programa, que integra representantes da Infraestruturas de Portugal, da administração central e das comunidades intermunicipais, com acompanhamento da tutela, defendendo que deve ser tornado público o posicionamento de cada entidade nesse processo.
Segundo o comunicado, os comunistas acusam ainda o deputado do PSD eleito por Beja, Gonçalo Valente, de tentar afastar responsabilidades do Governo social-democrata, após o grupo parlamentar do PSD ter requerido audições parlamentares sobre o processo. O PCP considera que estas iniciativas visam “lançar uma nuvem de poeira sobre o essencial” e preparar o terreno para anúncios alternativos de financiamento, classificando toda a operação como uma estratégia de natureza claramente política.
Fonte: PCP