Em Évora, um grupo de investigadores e clínicos deu um passo decisivo na forma como se encaram os cuidados pós-enfarte e outras patologias cardíacas. O Programa Integrado de Reabilitação Cardíaca Comunitária do Alentejo nasce da colaboração entre o Hospital do Espírito Santo de Évora, coordenado pelo Dr. João Paes, e a Universidade de Évora, através do Departamento de Desporto e Saúde e do Comprehensive Health Research Center.
Como explica Jorge Bravo, professor auxiliar da Universidade de Évora e investigador do projeto, ao programa “90 Segundos de Ciência”, emitido diariamente na Antena 1, trata-se de uma abordagem integrada e prolongada ao longo de 52 semanas, concebida para acompanhar o doente desde a fase hospitalar até à sua plena autonomia na comunidade. “A ideia é aumentar progressivamente as suas capacidades de autogestão dos indicadores de saúde”, sublinha o investigador, destacando o papel central das tecnologias wearable e aplicações móveis neste processo.
Mais do que um programa de exercício físico, este modelo de reabilitação pretende intervir nos hábitos diários do doente, promovendo mudanças sustentáveis no estilo de vida. “Falamos de gestão alimentar, controlo do stress psicológico, qualidade do sono e outros parâmetros que influenciam diretamente o bem-estar e a recuperação”, explica Jorge Bravo.
A inovação estende-se também à organização dos cuidados. O projeto prevê a formação de profissionais de saúde numa perspetiva descentralizada, permitindo que, a médio prazo, a prestação destes serviços se ramifique por outras zonas do Alentejo. Uma aposta estratégica numa região marcada pela dispersão geográfica e pelas dificuldades de acesso aos cuidados especializados.
Com esta iniciativa, Évora posiciona-se como um polo de vanguarda na reabilitação cardíaca comunitária, unindo a ciência, a clínica e a proximidade humana num mesmo propósito: devolver o coração e a vida ao ritmo natural do Alentejo.
Fonte: “90 Segundos de Ciência”, uma produção conjunta da Antena 1, ITQB e FCSH da Universidade Nova de Lisboa, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.