A Câmara Municipal de Évora reconheceu esta quarta-feira, em reunião pública do executivo que ainda decorre pela altura em que este artigo é publicado, que o sistema de recolha de resíduos urbanos entrou em rutura nas últimas semanas, levando à acumulação de lixo em vários pontos da cidade. O presidente da autarquia, Carlos Zorrinho, pediu desculpa aos munícipes e assumiu que o problema só deverá começar a ser resolvido “na próxima semana”, à medida que entrem em funcionamento novas viaturas e regressem outras atualmente em reparação.
“O sistema de recolha de lixo, que é baseado em viaturas muito velhas e em muito más condições, procedimentos estruturalmente frágeis, colapsou”, afirmou o autarca no início da sessão. “Em nome do Executivo apresento a todos os eborenses as nossas desculpas, mas as desculpas não pagam dívidas”, acrescentou.
A intervenção surge após o PSD ter voltado a criticar o estado da higiene urbana no concelho, apontando falhas graves na recolha de resíduos e exigindo medidas urgentes por parte da autarquia.
Na resposta dada durante a reunião, o vice-presidente e vereador responsável pelo pelouro, Jerónimo José, confirmou a dimensão da crise operacional e explicou que o município deixou de conseguir assegurar “o nível mínimo de serviço” devido à sucessão de avarias na frota.
Segundo o autarca, a Câmara dispõe atualmente de 14 viaturas, mas várias encontram-se avariadas ou fora de operação. “Neste momento, por uma sucessão de avarias, entre as saídas e regressos de viaturas reparadas, não conseguimos manter o nível mínimo de serviço de recolha de RSU”, declarou.
Jerónimo José atribuiu parte das dificuldades à antiguidade dos veículos e aos atrasos associados aos processos de contratação pública, explicando que a aquisição de novos equipamentos “não é tão simples” como uma compra imediata e depende de procedimentos administrativos e prazos de entrega.
O vereador revelou que o município está a recorrer ao aluguer temporário de viaturas para responder à situação mais urgente. Paralelamente, a Câmara aguarda o regresso de outras viaturas atualmente em reparação em oficinas situadas fora do distrito (porque as oficinas que reparam estes veículos não são as oficinas “usuais” e só existem fora do distrito).
“Contamos que na próxima semana, com a entrada dos novos veículos, em princípio, ter as coisas normalizadas”, afirmou. Ainda assim, o responsável advertiu que a recuperação será gradual e que o objetivo imediato passa apenas por garantir “o mínimo de qualidade no serviço”.
A degradação do sistema teve também impacto noutras operações municipais, nomeadamente na recolha de monos e na limpeza urbana. Segundo o vereador, várias viaturas habitualmente afetas a esses serviços foram desviadas para a recolha de resíduos urbanos, provocando atrasos acumulados desde o final de abril.
Durante a intervenção, Jerónimo José deixou ainda uma palavra de reconhecimento aos trabalhadores da higiene urbana, sublinhando que muitos continuam a desempenhar funções “em condições que atualmente têm, sabendo que não é as melhores”.
O executivo anunciou igualmente um conjunto de medidas que pretende implementar nos próximos meses, incluindo a renovação progressiva da frota, a instalação de sistemas de sensorização para otimização de circuitos, a aquisição de equipamentos de lavagem de contentores e o reforço da recolha seletiva.
O vereador referiu ainda que o projeto-piloto de recolha porta-a-porta em curso numa zona da cidade tem permitido reduzir a pressão sobre os contentores indiferenciados, defendendo que a separação de resíduos pelos munícipes poderá ajudar a aliviar custos e melhorar a operacionalidade do sistema municipal.