Terroir: Reguengos de Monsaraz celebra a literatura a partir de sábado

O novo festival literário de Reguengos de Monsaraz nasce para transformar o concelho num palco vivo, onde a literatura se cruza com o vinho, a música e a alma alentejana.

A planície alentejana prepara-se para acolher um evento que promete mudar o paradigma cultural da região. De 18 a 26 de abril, o Município de Reguengos de Monsaraz promove a primeira edição do Terroir – Festival Literário, uma iniciativa que marca a evolução da antiga Feira do Livro para um modelo que a autarquia define como sendo de “maior ambição cultural”. Inspirado no conceito vitivinícola de terroir, o festival assume que “cada obra reflete o contexto geográfico, cultural e humano de onde nasce”, criando uma ponte indissociável entre a escrita e a identidade local.

Com o epicentro no Parque da Cidade, mas com uma filosofia de descentralização que leva atividades a todo o concelho, o Terroir apresenta-se como um organismo vivo. Segundo a nota da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, o evento pretende ser um espaço de cruzamento entre a literatura, a música e o teatro, envolvendo desde os mais jovens, com sessões de escrita criativa e o espetáculo “O Sapato Especial”, até aos seniores, através de momentos de humor e partilha de histórias com o contador Jorge Serafim.

O arranque do festival faz-se com um toque de boémia e tradição. Após uma pré-abertura na Adega das Flores com escritores locais, a inauguração oficial, no dia 18, dá o mote para uma semana intensa. Um dos grandes destaques do cartaz é a presença de Fernando Alvim, que leva ao Auditório Alberto Janes o espetáculo de stand-up comedy “Monstros do Ano”. A música também terá um papel fundamental, com as cordas da harpa de Helena Madeira a ecoar “Nas Cordas do Tempo” e as atuações das prestigiadas bandas filarmónicas da região.

A programação é um verdadeiro convite à descoberta do património. Durante os fins de semana, a Biblioteca Municipal abre portas para visitas guiadas ao Palácio Rojão, permitindo que os visitantes mergulhem na história arquitetónica enquanto exploram as novidades editoriais. O festival não esquece os grandes vultos das letras, dedicando uma homenagem póstuma ao escritor António Lobo Antunes, num momento de partilha que contará com a participação de Ana Inverno, Antonieta Félix e Ricardina Balsante.

Para os leitores mais atentos às tendências contemporâneas, o Terroir traz a Reguengos a escritora e bookstagrammer Rita da Nova, que apresentará o seu livro “Apesar do Sangue”, bem como a jornalista Filipa Almeida Mendes com a obra “O Efeito Matilda”. Este foco na atualidade culmina num dos momentos mais aguardados do evento: o encontro entre Mia Couto e José Eduardo Agualusa. A sessão “A Literatura em diálogo” e a exibição do filme “Nayola” (baseado numa obra de ambos) prometem ser o ponto alto de uma semana dedicada à reflexão e ao prazer da leitura.

A autarquia sublinha que este festival pretende reforçar o posicionamento de Reguengos de Monsaraz como um “destino cultural”, onde a arte não é um elemento isolado, mas algo que “nasce do território”. Essa ligação à terra é celebrada de forma sensorial no jantar “Sabores do Terroir”, que terá lugar no restaurante Cat’Espero, unindo a gastronomia local ao espírito literário que invadirá o concelho durante estes nove dias.

O encerramento, no dia 26 de abril, ficará a cargo da Banda da Sociedade Filarmónica Corvalense, selando um evento que se quer afirmar como uma referência no calendário nacional.

O Terroir prova que, no Alentejo, as histórias têm raízes profundas e que a literatura, tal como o vinho que ali se produz, ganha uma identidade única através da ligação íntima com o lugar que a viu nascer.

Fonte & Grafismo: Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz

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