Troca de acusações aquece reunião de câmara em Évora: “falta de honestidade política” versus “oportunismo habitual”

Novo confronto entre Henrique Sim-Sim e João Oliveira a marcar as reuniões da Câmara Municipal de Évora.

A reunião da Câmara Municipal de Évora desta quinta-feira, 16 de abril, ficou marcada por um novo confronto verbal entre o vereador Henrique Sim-Sim (PPD-PSD/CDS-PP/PPM) e o vereador João Oliveira (CDU), num tom cada vez mais habitual nas sessões do executivo.

O ponto de discórdia voltou a centrar-se na avaliação da herança deixada pela anterior gestão comunista, com Sim-Sim a acusar diretamente a CDU de “capacidade criativa e falta de honestidade política” e de ter prejudicado deliberadamente o desenvolvimento da cidade.

“Eu quero só lembrar quatro ou cinco áreas em que o CDU boicotou, eu quase que diria boicotou deliberadamente a nossa cidade”, afirmou o vereador da AD, apontando falhas em dossiês como Évora 2027, escolas, desporto, economia e saúde. Sobre a Capital Europeia da Cultura, sublinhou que “quando este instituto tomou posse não havia praticamente projetos feitos”, acrescentando que “não havia financiamento, não havia projetos”.

No caso das infraestruturas escolares, Henrique Sim-Sim referiu a escola André de Gouveia, acusando o anterior executivo de não ter aproveitado verbas disponíveis. “Havia uma verba despenalizada que nunca a CDU quis aproveitar e, infelizmente, passados mais de 10 anos a escola continua no estado em que está”, disse, criticando ainda a ausência de projetos necessários para garantir financiamento.

O vereador foi mais longe ao classificar a atuação da CDU como negligente: “O executivo CDU foi completamente negligente no que diz respeito ao desenvolvimento de um conjunto de projetos”, concluindo que “a incúria com que o CDU desenvolveu a sua ação municipal nos últimos anos está à vista de todos”.

A resposta de João Oliveira não tardou e subiu de tom, com o eleito comunista a acusar Sim-Sim de incoerência e oportunismo político, sobretudo no dossiê Évora 2027. “O Sr. Vereador Henrique Sim-Sim, quando fala da Capital Europeia da Cultura, devia aparecer nas reuniões de Câmara coberto de alcatrão e penas”, afirmou, recordando posições anteriores do social-democrata.

Segundo João Oliveira, antes da escolha de Évora como Capital Europeia da Cultura, Sim-Sim questionava a viabilidade da candidatura. “Quando o Sr. desejava que Évora não ganhasse para poder cobrar politicamente ao executivo da CDU, enchia-se de coragem. A partir do momento em que a candidatura […] foi vencedora, o Sr. associou-se ao projeto e resolveu cavalgar a onda”, acusou, classificando o comportamento como “oportunismo habitual”.

Também na questão das escolas, o vereador da CDU contestou a leitura feita pela AD, acusando Sim-Sim de simplificar soluções e ignorar constrangimentos financeiros. “As cantigas do bandido dizem que isto é tudo facilidades, depois pagam-se mais à frente”, afirmou, defendendo que a CDU evitou comprometer o município com investimentos sem garantias de financiamento.

João Oliveira aproveitou ainda para apontar responsabilidades ao Governo em matérias como a intervenção na Escola de Santa Clara, rejeitando que a Câmara ou o anterior executivo sejam culpados pela ausência de obra. “Não venha atirar para cima da Câmara Municipal de Évora, nem sequer do anterior executivo, as responsabilidades que são do Governo”, declarou, sublinhando que a transferência de competências não incluiu os investimentos estruturais necessários.

A troca de acusações terminou com o Presidente da autarquia, Carlos Zorrinho, a aliviar o ambiente ao seu jeito algo salomónico, e que já começa a ser a sua imagem de marca nestas reuniões, onde a disputa sobre o passado recente da gestão municipal continua a surgir em debate.

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