Trinta anos depois de Miguel Indurain ter deixado a sua marca na estrada alentejana, Sines volta a ser ponto de partida da Volta ao Alentejo, que regressa a 25 de março para a 43.ª edição. A chamada “Alentejana” mantém o simbolismo de uma corrida com história, agora reforçada por um dado inédito: a transmissão televisiva em direto de todas as etapas, numa aposta que amplia a visibilidade de uma das provas mais emblemáticas do calendário nacional.
Ao longo de cinco dias, o pelotão vai percorrer 674,2 quilómetros, naquele que será um dos traçados mais curtos da história recente da prova. O percurso atravessa 25 municípios da região e volta a terminar em Évora, pela 35.ª vez, consolidando a ligação da cidade património mundial ao desfecho da corrida. Pelo meio, destaca-se um contrarrelógio individual no Crato, com 23,2 quilómetros, o mais longo desde 2008, que deverá ter influência direta nas contas finais.
A organização distribuiu ainda oito metas volantes e seis contagens de montanha, num perfil que promete agitar a classificação ao longo das etapas. As chegadas a Montemor-o-Novo e à Serra de São Mamede, nas Antenas de Portalegre, surgem como pontos-chave de decisão, num percurso que combina exigência física com imprevisibilidade competitiva.
No plano desportivo, o regresso da UAE Team Emirates Gen Z, formação ligada ao universo de João Almeida e Tadej Pogacar, acrescenta interesse à luta pela geral. Depois de vitórias parciais na edição anterior, a equipa assume ambição clara de discutir o triunfo final, num pelotão que junta estruturas nacionais e internacionais do circuito continental.
Sob a égide da Federação Portuguesa de Ciclismo, que assume a organização, a prova procura afirmar-se como montra da região e do ciclismo português. “Uma corrida mítica e um veículo promocional do Alentejo”, como sublinhou Cândido Barbosa citado pelo Jornal de Notícias, numa edição que alia tradição e renovação, com a expectativa de um espetáculo mais próximo do público.

Fontes: RTP, Jornal de Notícias | Foto: Évora Notícias