Cinema alternativo suspenso em Évora desde janeiro por problemas de infiltrações no Auditório Soror Mariana

Sessões semanais deixaram de realizar-se no centro histórico devido à falta de condições de salubridade do espaço.

As sessões de cinema alternativo que, durante anos, deram vida ao Auditório Soror Mariana, no centro histórico de Évora, estão suspensas desde o início de 2026 devido a problemas de infiltrações e falta de condições de salubridade no edifício. A interrupção afeta uma programação regular dedicada a cinema de autor e independente, que reunia semanalmente cinéfilos da cidade.

O auditório, com pouco mais de meia centena de lugares, pertence à Universidade de Évora e acolhia as sessões promovidas pelo núcleo de cinema da Sociedade Operária de Instrução e Recreio (SOIR) Joaquim António d’Aguiar, em parceria com o grupo Cinema-fora-dos-Leões. Citado pela Agência Lusa, o presidente da coletividade, Pedro Branco, lamentou a interrupção da atividade cultural, sublinhando que “custa pensar que Évora não tem agora um sítio onde se possam ver filmes das grandes referências do cinema”.

Segundo explicou o dirigente associativo, a suspensão das sessões ocorreu após serem identificados “problemas de infiltrações e questões que se prendem com a salubridade do auditório”, circunstâncias que levaram à decisão de interromper a utilização do espaço. A universidade, proprietária do imóvel, optou por encerrar temporariamente a sala para permitir uma intervenção que corrija as anomalias detectadas.

Também à Lusa, o vice-reitor da Universidade de Évora para as Infraestruturas e Políticas para a Vida, João Valente Nabais, indicou que os problemas de infiltrações se agravaram no início do ano devido à intempérie, comprometendo as condições de utilização do auditório. As falhas afetam a cobertura do edifício, uma casa de banho, o hall de entrada e parte dos soalhos e do mobiliário da sala.

A academia revelou já ter iniciado alguns passos para a recuperação do imóvel, nomeadamente com a contratação de uma empresa para reabilitar a casa de banho danificada. Em relação às restantes intervenções necessárias, está em curso uma avaliação técnica destinada a determinar o valor da obra e o procedimento a adotar, sem que exista ainda previsão para o início dos trabalhos.

Enquanto aguardam soluções para o auditório, os promotores das sessões procuram “salas alternativas, temporárias ou permanentes” que permitam retomar a exibição de filmes. “Se a operação for rápida, resolve-se mais ou menos tranquilamente, mas, se percebermos que se arrasta por um ano ou assim, inclusivamente entrando em 2027, isso preocupa-nos”, reconheceu Pedro Branco, reiterando as preocupações por não haver em Évora “um local onde se possa ver cinema com grandes referências, ainda para mais, numa cidade que será muito proximamente Capital Europeia da Cultura”.

Fonte: Lusa | Foto: Facebook Auditório Soror Mariana

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