Hospital Évora: depois de um “like” num vídeo do PCP, deputado do PSD exige outra velocidade a Carlos Zorrinho

Após interação com publicação comunista sobre o hospital, Francisco Figueira endurece discurso e pressiona atual executivo de Évora.

«Ou no intervalo das fotos, dos vídeos, dos eventos e das audiências, o Presidente Carlos Zorrinho não teve “tempo”?». É desta forma que, a meio de uma publicação feita esta manhã, o deputado do PSD e líder distrital em Évora, Francisco Figueira, expressa o seu desagrado com aquilo que considera ser a ausência de avanços nos procedimentos concursais ligados ao Hospital Central do Alentejo. Dias depois de ter assinalado com um “like” um vídeo do PCP sobre o mesmo processo, o social-democrata assume agora uma posição de pressão política explícita, exigindo maior celeridade ao atual executivo municipal liderado por Carlos Zorrinho.

Numa publicação feita esta sexta-feira na sua página de Facebook (onde, curiosamente, usa o próprio nome como hashtag), o dirigente social-democrata questiona diretamente o andamento dos procedimentos que cabem à autarquia no âmbito do novo protocolo assinado com o Estado. “A Câmara Municipal de Évora já lançou os concursos e os procedimentos necessários para concretizar os acessos e as infraestruturas do Hospital Central do Alentejo?”, escreve, acrescentando críticas ao que sugere ser falta de execução.

No mesmo texto, intensifica o tom político ao afirmar: “Acabaram-se as desculpas! O Município de Évora tem de cumprir, sem mais demoras, o que lhe compete”, dirigindo-se explicitamente ao atual presidente da autarquia.

Após interação com publicação comunista sobre o hospital, Francisco Figueira endurece discurso e pressiona atual executivo de Évora.

A nova tomada de posição surge dias depois de Francisco Figueira ter colocado um “like” num vídeo divulgado pelo PCP – Distrito de Évora, no qual Carlos Pinto de Sá apontava atrasos sucessivos na construção do hospital e atribuía responsabilidades a vários governos, tendo surgido como resposta indireta às críticas da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, à anterior gestão da Câmara Municipal de Évora.

A governante responsabilizou o executivo então liderado pela CDU por bloqueios no processo, incluindo falhas na articulação institucional, ausência de legalização prévia de terrenos e atrasos na definição de acessos, fatores que, segundo afirmou, comprometeram o ritmo da obra.

Por seu lado, Pinto de Sá defendeu que os atrasos resultam de um problema estrutural e prolongado no tempo, acusando vários governos de sucessivos adiamentos e sustentando que questões como as expropriações eram conhecidas há mais de uma década.

Com a intervenção de Francisco Figueira, o foco desloca-se agora para a fase de execução sob responsabilidade direta do atual executivo municipal. A exigência de “outra velocidade” traduz uma pressão política acrescida sobre a autarquia, num momento em que o cumprimento de prazos é determinante para a conclusão da obra em 2027.

No plano político, o episódio evidencia a continuidade do conflito em torno da atribuição de responsabilidades, agora com uma reconfiguração dos alvos: da anterior gestão CDU, criticada pelo Governo, para o atual executivo socialista, pressionado por um dirigente do PSD que, dias antes, tinha interagido com uma narrativa crítica proveniente do PCP.

E ainda dizem que a política alentejana é previsível…

Fonte: Facebook Francisco Figueira

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