Aqui estou eu, com o mapa aberto e a mala já a espreitar para o banco de trás do carro. Se há coisa que me tira do sofá, é a promessa de um Alentejo que se reinventa sem esquecer o lugar de onde veio. E, meus amigos, as notícias que me chegam de Monsaraz são de fazer qualquer um marcar já mesa.
A Horta da Moura (agora sob a asa do grupo WOTELS) decidiu lançar um desafio à nossa gula: um Brunch Alentejano. E pode ser degustado todos os sábados, das 12h às 15h, a partir de 23 de maio! Confesso que, quando ouço a palavra “brunch”, penso logo em abacates e panquecas… mas aqui a conversa é outra, muito mais séria e com muito mais coentrada!
Imagine o cenário: a paz de Monsaraz, o reflexo do Grande Lago do Alqueva no horizonte e uma mesa que parece não ter fim. Não é para comer à pressa; é para celebrar a “vagarice” que só nós entendemos. Eu ainda não lá cheguei, mas só de ler o menu, já sinto o aroma do azeite a aquecer na cozinha.
O que me está a fazer querer ir a correr:
- Petiscos que são a nossa alma: Esqueçam os ovos Benedict. Aqui, o dia começa com pézinhos de coentrada, orelha, ovos mexidos com farinheira (ou espargos, se a época ajudar) e aqueles enchidos na chapa que perfumam o ar. É o pequeno-almoço dos campeões da planície!
- O “Sustento” a sério: Para pratos principais, a Horta da Moura não brinca em serviço. Estamos a falar de bochechas de porco preto, borrego assado e a nossa eterna sopa de cação. Se isto não é um convite ao paraíso, não sei o que será.
- A Doçaria Conventual: E porque nenhum repasto alentejano está completo sem um docinho, já estou a sonhar com a sericaia e as farófias. Dizem que há também marmelos assados e pudim de pão, o conforto absoluto em forma de açúcar.
Entre a História e a Contemporaneidade
O que mais me fascina nesta proposta da Horta da Moura é este equilíbrio. Eles pegaram numa unidade de turismo rural histórica e decidiram dar-lhe um toque fresco, sem lhe tirar a alma. É um refúgio onde a herança de Monsaraz se sente nas paredes de pedra, mas onde podemos desfrutar de novas experiências como este brunch, que é, no fundo, um abraço à nossa memória coletiva.
O meu plano? Aparecer por lá num destes sábados de sol, deixar o relógio no carro e perder-me entre um prato de migas com cação frito e a vista sobre a planície.
Quem é que se junta a mim nesta expedição gastronómica? Olhem que o borrego assado não espera por ninguém!
Luísa F. Bacalhau
luisa.bacalhau@oalentejo.pt
Crónicas da Planície & Outros Sabores