Hospital Évora: vídeo de Carlos Pinto de Sá surge após críticas da ministra; e “like” de dirigente do PSD chama a atenção

Intervenção de Carlos Pinto de Sá, divulgada pelo PCP nas redes sociais, sublinha atrasos e enquadra o processo após críticas do Governo. Um “like” de um deputado do PSD no vídeo acrescenta um elemento inesperado ao debate.

O futuro Hospital Central do Alentejo voltou ao centro do debate político, num momento em que a assinatura de um novo protocolo entre o Estado e o Município de Évora pretende destravar um processo marcado por atrasos sucessivos. Mas, para além do embate entre Governo e anteriores responsáveis autárquicos, um detalhe aparentemente menor (um “like” nas redes sociais) expôs uma nuance inesperada no discurso partidário.

Num vídeo divulgado este domingo, 22 de março, na página de Facebook do PCP – Distrito de Évora, Carlos Pinto de Sá, antigo presidente da Câmara e hoje à frente do município de Montemor-o-Novo, surge a reafirmar a centralidade do projeto, apontando responsabilidades políticas pelos sucessivos adiamentos.

“O Hospital Central do Alentejo em Évora é um investimento estruturante e fundamental para a saúde dos alentejanos e há décadas estamos à espera que se possa concretizar”, afirma, defendendo que o avanço da obra resultou da “luta dos alentejanos” e da pressão das autarquias. Ainda assim, sublinha que “esta construção tem-se atrasado sucessivamente”, com prazos que foram sendo sucessivamente revistos, apontando agora para o final de 2027.

No mesmo registo, o autarca sustenta que problemas estruturais, como a falta de terrenos e infraestruturas, eram conhecidos há anos. “Desde 2014 que vimos alertando para a necessidade de dispor dos terrenos privados”, recorda, acrescentando que o município então liderado pela CDU chegou a avançar com projetos necessários para acessos e redes essenciais.

A assinatura recente de um protocolo, que permitirá ao município assumir expropriações e obras de suporte, é vista como um passo tardio. Pinto de Sá considera que o processo foi sendo “empurrado com a barriga pelos vários governos” e aponta mesmo a motivações políticas: segundo o próprio, o executivo central terá evitado formalizar o acordo com uma autarquia de gestão CDU, atrasando a intervenção.

Apesar disso, reconhece que o entendimento agora alcançado poderá desbloquear matérias críticas, esperando que garanta financiamento para acessibilidades, redes de água, saneamento e componente elétrica. Ainda assim, deixa um aviso: “não pode haver mais espera na construção, na conclusão, na entrada em funcionamento” da unidade hospitalar, defendendo também a sua integração plena no Serviço Nacional de Saúde com gestão pública.

Governo aponta responsabilidades ao passado

As declarações contrastam com a leitura do atual Governo. Na cerimónia de assinatura do protocolo, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, foi particularmente incisiva ao atribuir responsabilidades ao anterior executivo municipal de Évora.

A governante descreveu o cenário encontrado em 2024 como um “problema grave”, marcado por decisões por tomar, processos judiciais pendentes e falhas na reprogramação financeira. Mais contundente foi ao referir dificuldades na articulação institucional, acusando a autarquia de então de pouca abertura ao diálogo e de rigidez nas posições relativas às infraestruturas.

Entre as críticas mais relevantes, destacou o facto de a obra ter avançado sem a prévia legalização dos terrenos e sem os acessos necessários, circunstâncias que, segundo a ministra, comprometeram o ritmo dos trabalhos.

Um “like” que foge à regra

É neste contexto de confronto político que surge um elemento algo insólito. O vídeo onde Pinto de Sá expõe a sua leitura dos acontecimentos, recebeu um “like” de Francisco Figueira, deputado do PSD e líder distrital do partido.

O gesto, ainda que discreto, não passou despercebido. Num território onde PSD e CDU se têm colocado, ao longo do tempo, em margens opostas, seja na conceção do Serviço Nacional de Saúde, seja no papel do Estado, uma interação desta natureza não deixa de suscitar interrogações. Não sendo possível atribuir-lhe um significado político inequívoco, o contexto confere-lhe relevo. Um “like” é, afinal, uma forma breve de assinalar concordância, ou pelo menos atenção positiva. Fica por perceber a que dimensão concreta da mensagem terá sido dirigido.

Ainda assim, por entre a tentação da leitura especulativa, emerge um dado mais sólido. Há um ponto de contacto difícil de negar: o Hospital Central do Alentejo é amplamente reconhecido como uma infraestrutura há muito aguardada, cuja concretização mobiliza expectativas e, em muitos casos, uma impaciência contida. O seu impacto estende-se a centenas de milhares de utentes e exige, pela sua natureza, um esforço de convergência política que ultrapasse clivagens tradicionais. Talvez esse gesto mínimo traduza, ainda que de forma imperfeita, essa consciência partilhada.

Fonte: Facebook PCP Évora

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