O novo Estádio do Juventude Sport Clube, recentemente inaugurado e apresentado como um marco para o futebol alentejano, está já a provocar forte polémica em Évora. Poucas semanas depois da abertura oficial, o recinto tornou-se o epicentro de um novo conflito com o Lusitano, na sequência da recusa do Juventude em ceder o campo para um eventual jogo dos quartos de final da Taça de Portugal (caso vença o Fafe nos oitavos).
Na edição de hoje do jornal Record, é noticiado que o Lusitano admite recorrer aos tribunais para contestar o direito de superfície atribuído ao Juventude sobre o terreno municipal onde o estádio foi construído. Em causa está a recusa do clube proprietário em autorizar a utilização do recinto, levando os verdes e brancos a indicarem o Estádio Nacional do Jamor como alternativa junto da Federação Portuguesa de Futebol.
O presidente do Lusitano, Pedro Caldeira, em declarações reproduzidas pelo Record, considera que a decisão configura um incumprimento do acordo celebrado com a Câmara Municipal de Évora. O dirigente lembra que o Juventude recebeu o direito de superfície de um terreno com cerca de dois hectares, avaliado em mais de quatro milhões de euros, em troca de uma bolsa anual de horas de utilização para o município, sublinhando que “em caso de incumprimento, o Juventude perde automaticamente o direito de superfície”.
Do lado do Juventude, António Sousa rejeita qualquer ilegalidade e afasta o cenário de uma ação judicial. O presidente do clube justifica a recusa com limitações técnicas do estádio, apontando problemas na iluminação, ausência de plano de emergência e restrições ao uso do relvado, numa fase em que o recinto ainda está a ser afinado após a inauguração.
O contraste entre o discurso institucional da inauguração e a polémica atual é evidente. O estádio, aberto ao público a 4 de outubro, foi apresentado como o primeiro do Alentejo preparado para receber jogos internacionais reconhecidos pela UEFA, resultado de uma parceria entre o Juventude, a Câmara Municipal de Évora e entidades privadas, com capacidade inicial para três mil espectadores e previsão de expansão futura.
Menos de dois meses depois, o equipamento que deveria simbolizar modernidade, cooperação e prestígio regional surge já associado a tensões jurídicas e rivalidades históricas, num sinal de que o novo estádio, antes mesmo de se afirmar plenamente no plano desportivo, já está a marcar o futebol eborense pela controvérsia.
Fonte: Record