Mértola contesta escolha de Oeiras para Centro de Competências da Caça e Biodiversidade e reclama instalação no concelho

Autarquia critica ausência de diálogo e sustenta que reúne condições únicas no país.

A escolha de Oeiras para acolher o futuro Centro de Competências da Caça e Biodiversidade apanhou Mértola de surpresa e gerou uma reação política imediata. O município alentejano diz não ter sido envolvido no processo e contesta uma decisão que considera desalinhada com a realidade do setor.

No comunicado enviado às redações esta manhã, a autarquia não esconde o descontentamento, referindo “estranheza e indignação pela forma como teve conhecimento de que a intenção de instalação física do Centro de Competências da Caça e Biodiversidade (CCCB) será em Oeiras”, numa crítica direta à ausência de articulação com um território que se apresenta como referência nacional na área.

Esse estatuto é, de resto, um dos eixos centrais da argumentação. Mértola sustenta que reúne condições difíceis de replicar noutros pontos do país, desde logo pela dimensão do território classificado e pela diversidade de habitats. Como é sublinhado no documento técnico divulgado com o comunicado, “Mértola integra cerca de 90% da área protegida do Parque Natural do Vale do Guadiana e é reconhecida, de forma amplamente consensual, como a Capital Nacional da Caça.”

Mas o argumento não se esgota na geografia. A autarquia aponta para um trabalho continuado no terreno, envolvendo técnicos e entidades locais, que ao longo dos anos consolidaram práticas consideradas exemplares. Esse percurso é descrito como assente “no trabalho contínuo, ao longo de todo o ano, de gestores cinegéticos experientes, que implementam uma gestão rigorosa e responsável das suas zonas de caça.”

A par dessa base prática, o município destaca o investimento recente na Estação Biológica de Mértola, uma infraestrutura de 7 milhões de euros que concentra investigação aplicada nas áreas da biodiversidade e da cinegética. O equipamento é apresentado como um polo científico com capacidade instalada e equipas especializadas, reforçando a ambição de liderar nesta área.

Entre os exemplos invocados surge a reintrodução do lince-ibérico, apontada como um caso concreto de articulação entre ciência, gestão e território. O processo é descrito como “particularmente ilustrativo deste equilíbrio”, refletindo um contexto onde coexistem condições ecológicas, conhecimento técnico e cooperação institucional.

No essencial, o município defende que a localização do futuro centro não é uma questão meramente administrativa, mas estratégica. Por isso, insiste que a infraestrutura deveria ser instalada onde a atividade efetivamente acontece, sustentando que “a sede física do CCCB se localize em Mértola, território que reúne condições únicas ao nível dos habitats, da experimentação em contexto real e da capacidade técnico-científica instalada.”

Fonte: Câmara Municipal de Mértola

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