Bloco de Esquerda acusa Câmara de Évora de falta de visão estratégica

Pedro Ferreira critica gestão da CDU por não responder às necessidades do concelho e alerta para os problemas de habitação e emprego na região

O candidato do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Évora, Pedro Ferreira, acusou ontem o atual executivo municipal, liderado pela CDU, de falta de visão estratégica para responder aos desafios do concelho, nomeadamente nas áreas da habitação, do emprego e da indústria. O bloquista defendeu que “a habitação tem de ser vista a longo prazo”, sublinhando que as políticas atuais “não respondem às necessidades do concelho”.

As declarações foram feitas após uma reunião com responsáveis da empresa aeronáutica Aernnova, instalada no Parque de Indústria Aeronáutica de Évora, que emprega cerca de 900 trabalhadores. De acordo com a Agência Lusa, a empresa lamentou não conseguir recrutar mais mão de obra local, sendo obrigada a transportar diariamente trabalhadores desde Setúbal. “Vem um autocarro cheio de trabalhadores de Setúbal, porque não consegue formar trabalhadores no nosso concelho”, disse Pedro Ferreira, acrescentando que, embora exista um protocolo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), “os resultados continuam aquém das necessidades da empresa”.

Segundo a mesma fonte, a questão da habitação foi outro ponto central do encontro. Para o candidato do BE, “não é comportável termos trabalhadores a vir de Setúbal, de Lisboa e de outros pontos do país”, quando o concelho precisa de pelo menos 200 novas habitações para acompanhar o crescimento previsto da Aernnova. “O Plano Local de Habitação não responde a esta necessidade”, criticou, lembrando que a empresa poderá vir a igualar a Câmara de Évora como “a maior empregadora do distrito”.

Pedro Ferreira denunciou ainda atrasos no licenciamento municipal, que dificultam investimentos essenciais, como a instalação de painéis solares. A par disso, apontou a falta de acessibilidades e de uma plataforma logística ferroviária, sublinhando que “a empresa enfrenta obstáculos até para transportar as asas de 20 metros que produz”.

O candidato concluiu que “Évora precisa de um planeamento estratégico que articule habitação, formação e indústria”, defendendo que o município deve deixar de agir “em função do imediato” e passar a “pensar a cidade e o concelho com ambição e futuro”.

Fonte: Lusa | Foto: Facebook BE

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