Mais de meia centena de alunos da Escola Secundária André de Gouveia, em Évora, participaram numa ação de literacia mediática centrada na identificação de conteúdos falsos e manipulados que circulam online. A sessão reuniu 56 estudantes do 10.º ano e integrou o roadshow da segunda edição do projeto “Pinóquio na Escola”, desenvolvido pelo Polígrafo em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian.
Segundo a Agência Lusa, ao longo de cerca de duas horas, os alunos foram confrontados com imagens alteradas digitalmente, publicações virais e exemplos concretos de informação enganadora, num exercício pensado para treinar o olhar crítico. Entre os casos apresentados, surgiram fotografias de figuras públicas que suscitaram reações imediatas, mas também dúvidas, expondo a facilidade com que determinados conteúdos conseguem parecer credíveis num primeiro contacto.
No arranque da sessão, o diretor de operações do Polígrafo, Filipe Pardal, lançou a pergunta “O que é desinformação?” para introduzir um conceito que, explicou, corresponde à disseminação intencional de informação falsa ou enganadora com o objetivo de manipular a opinião pública. Citado pela Lusa, o responsável sublinhou também que “hoje em dia um jovem que estuda no ensino secundário ou no terceiro ciclo é muito mais exposto à desinformação, numa idade precoce”, defendendo que a resposta educativa ainda não acompanha totalmente os desafios atuais.
A proximidade dos alunos com as redes sociais deu particular atualidade ao tema. Filipa Carvalho, de 15 anos, admitiu que passa muitas horas em plataformas como TikTok e Instagram e que nem sempre é fácil perceber “se a informação é verdadeira ou falsa”. A estudante alertou ainda que “muitas das vezes consumimos informação demasiado falsa”, enquanto Afonso Martins considerou a iniciativa “muito importante para informar os jovens”, justamente por serem alvo frequente de conteúdos enganosos nas redes.
A direção da escola e os docentes envolvidos enquadraram a sessão como parte de um esforço mais amplo de formação cívica e educativa. A diretora do agrupamento, Maria Peres, defendeu que a literacia mediática atravessa várias disciplinas e exige articulação entre escola, famílias, comunidade e meios de comunicação. Já a professora Isabel Gameiro, que organizou a atividade, afirmou que este trabalho é “fundamental para ajudar os alunos a desenvolver o pensamento crítico”, num contexto em que a verificação passou a ser uma competência essencial antes de acreditar ou partilhar.
Fontes: Lusa, Polígrafo