Arquidiocese de Évora prepara programa “com vagar e com fé” para 2027

Projeto ‘Évora Sacra’ quer anunciar a mensagem cristã através da arte, da música e do património, no contexto da Capital Europeia da Cultura

A Arquidiocese de Évora está a desenvolver o programa “Évora Sacra’27 – com vagar e com fé”, concebido no âmbito da Capital Europeia da Cultura 2027, assumindo a arte e o património como vias de anúncio cristão. A apresentação pública decorreu a 2 de fevereiro, na igreja do Espírito Santo, e marca o início de um percurso que terá em maio uma nova etapa. “Temos muito trabalho para fazer, mas gostaríamos que maio fosse um novo degrau da apresentação da nossa programação”, afirmou, citado pela Agência ECCLESIA, o padre Mário Tavares, coordenador do projeto, adiantando que está previsto um concerto em setembro, em parceria com a Associação Cultural Égide.

O responsável sublinha que o objetivo ultrapassa a mera exibição patrimonial. “Nós não somos curadores de museus, não queremos unicamente mostrar obras de arte, queremos anunciar a mensagem cristã da maneira que o mundo hoje aprecia”, declarou o diretor do Departamento de Pastoral da Cultura e dos Bens Patrimoniais. O programa integra festivais, concertos de Cante Alentejano religioso, exposições, colóquios, conferências, degustações de doçaria conventual, ações de formação e estadias em conventos, procurando dialogar com uma sociedade que, segundo o sacerdote, revela particular sensibilidade à beleza enquanto caminho de sentido.

Maio surge como momento estratégico, com a presença da arquidiocese na Feira do Livro 2026, após reunião com a Câmara Municipal. Está previsto um “Comboio literário” a partir de Lisboa, com personalidades e agentes culturais, que serão acolhidos na cidade alentejana com visitas e um programa que deverá incluir a catedral. A Sé de Évora assume, aliás, centralidade no projeto: pretende-se lançar “um grande livro sobre a catedral”, coordenado pelo professor Eduardo Franco, envolvendo uma vasta equipa de investigadores, iniciativa que poderá dar origem a congresso e exposição.

A música sacra constitui outro eixo de excelência. A escola de música da catedral, referência nos séculos XVII e XVIII, será evocada através da recuperação de repertórios hoje ausentes da prática litúrgica, com concertos já agendados com a Eborae Mvsica. Foi igualmente convidado o Coro do Carmo, da Diocese de Beja, identificado como “um dos ícones mais salientes” do Cante Alentejano religioso. Na vertente das artes plásticas, o projeto contempla a valorização da pintura seiscentista, a recuperação da memória de um monge cartuxo contemporâneo cujo espólio foi confiado à diocese, bem como a apresentação de coleções provenientes da Cartuxa e dos ermitas. Na igreja de Santa Clara, duas conservadoras-restauradoras irão trabalhar ao vivo, permitindo ao público compreender técnicas e processos de restauro.

A programação inclui ainda a valorização da doçaria conventual, associada à história dos mosteiros alentejanos. O Convento do Calvário, onde terá surgido o pão de rala, deverá tornar-se espaço visitável com possibilidade de degustação, enquanto a Cartuxa, comunidade de vida contemplativa, prepara uma hospedaria para acolher quem deseje permanecer alguns dias em recolhimento. O projeto estende-se às gerações mais novas, através da iniciativa ‘Crescer com arte e com alma’, envolvendo os secretariados diocesanos e acolhendo uma Jornada do Episcopado. Integrado na dinâmica cultural da cidade, o programa abrange também o Festival Internacional de Órgão de Évora e o restauro de instrumentos históricos, entre eles o órgão quinhentista da catedral, descrito como “uma raridade”. O propósito, sintetiza o padre Mário Tavares, é chegar a 2027 com um programa robusto, capaz de promover a cidade e afirmar a arte como território de anúncio do Evangelho.

Fonte & Foto: Agência ECCLESIA

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