Campeões do Mundo já em Lisboa: José Neto, o ‘super puto’ de Aljustrel

A seleção portuguesa de sub-17, recém-coroada campeã do Mundo, já está em Lisboa. À chegada, no aeroporto, entre abraços, cartolinas e cânticos, destacou-se a figura alta de um rapaz de 17 anos, sorriso de miúdo e estatuto de campeão: José Neto, lateral-esquerdo do Benfica, natural de Aljustrel.

A seleção portuguesa de sub-17, recém-coroada campeã do Mundo, já está em Lisboa. À chegada, no aeroporto, entre abraços, cartolinas e cânticos, destacou-se a figura alta de um rapaz de 17 anos, sorriso de miúdo e estatuto de campeão: José Neto, lateral-esquerdo do Benfica, natural de Aljustrel.

À hora em que publicamos este artigo, acabaram de ser recebidos em Belém pelo Presidente da República (onde regressarão a 2 de janeiro para serem condecorados). Mas, antes disso, houve tempo para um momento que diz muito sobre o percurso do jovem alentejano: o cachecol do Mineiro Aljustrelense “já icónico” e a presença, em Lisboa, de quem o viu dar os primeiros pontapés na bola.

“É um cachecol que tem muita importância para mim e estas pessoas que acabaram por se deslocar aqui”, disse ao Canal 11, apontando para o pequeno grupo de adeptos e familiares que o esperava. “Queria-lhes mandar um abraço e um beijinho porque são muito especiais também para mim e também me ajudaram muito no meu processo para chegar aqui. E queria-lhes agradecer também por estarem aqui e por trazerem também as cores da nossa terra aqui”, acrescentou.

Um cachecol que se tornou símbolo

O cachecol do Mineiro Aljustrelense, erguido nos festejos do título mundial, tornou-se rapidamente símbolo de uma ligação que José Neto recusa perder. Ainda no aeroporto, o jovem internacional português recordou também os três meninos que já jogam no Mineiro e que o foram ver chegar: “Sim, sim, sim. Conheço-os também desde muito pequenos. Há dois que vivem até muito perto de mim. Costumávamos ir a jogar futebol juntos na rua desde muito novos e são pessoas muito especiais e importantes para mim.”

Da rua de Aljustrel aos relvados do Qatar, o percurso foi rápido e exigente. Descoberto pelo Benfica aos seis anos, obrigou a família a viagens frequentes para Lisboa. Hoje, é um lateral moderno, forte fisicamente, com 1,84 metros, competente a defender e perigoso a atacar, tanto numa defesa a quatro como como ala em esquemas de três centrais. No Mundial sub-17, alinhou nos oito jogos, marcou quatro golos e fez duas assistências, números pouco comuns para um defesa.

A temporada de 2025 tem consolidado essa ascensão. Campeão da Europa de sub-17 no verão, agora campeão do Mundo, Neto continua a destacar-se na Liga Revelação (sub-23) e na Youth League (sub-19). Entre os responsáveis do futebol de formação das águias já é descrito como um “super puto”, rótulo que, segundo se sabe, também impressionou José Mourinho, técnico que o tem observado de perto no Seixal.

Para lá das etiquetas, José Neto prefere falar em trabalho e crescimento. “Estou no Benfica há muitos anos e sempre adorei estar aqui”, afirmou aquando da assinatura do primeiro contrato profissional, segundo o jornal A Bola. E explicou a forma como olha a própria evolução: “Estou sempre a evoluir, tanto como pessoa como como jogador. Aprendi muitas coisas: nem sempre podemos estar no nosso melhor, mas é nesses momentos que aprendemos a ser ainda melhores.”

Raízes em Aljustrel, futuro na Luz

Em Aljustrel, a antiga diretora do Mineiro e educadora de infância, Ana Beatriz Afonso, costuma dizer que “continua a ser o mesmo menino”, revela o jornal Record. Lembra um rapaz comprometido, amigo dos colegas, respeitador dos mais velhos. E sublinha o gesto que hoje se viu replicado no aeroporto: sempre que pode, ao domingo, depois dos jogos no Seixal, José regressa à terra para ver o Mineiro, cumprimentar toda a gente na rua e reforçar um hábito que não perdeu.

Neto confirma, nas pequenas coisas, esse laço. Ao ver, no meio da multidão, os jovens atletas do Mineiro que o vieram apoiar, não hesitou em reconhecê-los de longe. “Estão ali, estão ali os três”, apontou, antes de garantir que já os tinha cumprimentado. Um detalhe simples, mas que espelha a forma como o campeão do Mundo continua a olhar para a terra que o viu crescer.

Sobre o Mundial agora conquistado, o lateral-esquerdo não escondeu o peso do sonho cumprido: “Foi, foi muito especial para todos nós. Este grupo sonhava muito em conquistar este Mundial. Trabalhámos desde o início, demos sempre o máximo e foi muito especial termos conquistado este Mundial.” Com a viagem a começar e os autógrafos ainda a serem disputados por familiares e adeptos, deixou uma última ideia sobre o que aí vem: “Agora é desfrutar ao máximo com os portugueses que também nos apoiaram muito enquanto estivemos lá. Também foram muito cruciais para esta conquista e é aproveitar ao máximo.”

No Benfica, Rui Costa já avisou que quer “aproveitar da melhor maneira” o talento dos nove campeões do Mundo formados no clube – entre eles José Neto –, mas sem precipitar etapas: “Vamos dar tempo ao tempo, estamos a falar de jogadores muito jovens e com muito talento, não os vamos estragar…”, disse o presidente do SL Benfica à comunicação social.

Entre Belém, o Seixal e Aljustrel, o caminho de José Neto faz-se agora num equilíbrio delicado entre o miúdo que regressa ao domingo para ver o Mineiro e o internacional que brilha em Mundiais e Europeus. Hoje, em Lisboa, lembrou que, mesmo quando se chega ao topo do mundo, há sempre uma terra que fica à espera de braços abertos.

Fontes: Canal 11, A Bola, Record

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