O Festival Terras sem Sombra (TSS) revelou esta terça-feira, 11 de fevereiro, a programação da sua 22.ª temporada, apresentada na Embaixada da República da Polónia, em Lisboa, perante representantes do corpo diplomático, autarcas e agentes culturais. Sob o tema «“Alegres Campos, Verdes Arvoredos”: Música e Biosfera (Da Idade Média à Criação Contemporânea)», a edição assume uma aposta declarada na internacionalização e na articulação entre música, património e salvaguarda da biodiversidade, num calendário que se prolonga até dezembro.
A Polónia surge como país convidado e com presença transversal na temporada, assinalando, nas palavras de Dariusz Dudziak, Ministro-Conselheiro na Embaixada da Polónia, “uma oportunidade única para o desenvolvimento das relações culturais bilaterais entre a Polónia e Portugal. Um caminho de entendimento entre dois povos e dois países“. O responsável aproveitou também para “saudar o público alentejano e a oportunidade de levar àquela região o património polaco”, num gesto que liga diplomacia cultural e território.
Da direção do Festival, José António Falcão sublinhou a relevância da escolha ao afirmar que “contar com a Polónia como país convidado da presente edição enche-nos de alegria”, destacando a excelência artística do país. Na mesma intervenção, apontou ainda a dimensão de cooperação europeia associada ao percurso do TSS, referindo que “a colaboração com o município de Ribera de Arriba é um privilégio”, num território asturiano onde, segundo o diretor-geral, vive uma comunidade portuguesa significativa.
A temporada reforça, por outro lado, a expansão geográfica. O Festival passa a abranger 13 concelhos do Alentejo e um do Ribatejo, estreando-se em Alcácer do Sal e em Grândola, e prevendo ainda um “concerto-mistério” a anunciar durante o ano. Ana Paula Amendoeira, vice-presidente da CCDR Alentejo, salientou a “importância deste projeto para a região e o país, dada a sua projeção cultural e transversalidade”, lembrando igualmente “o pioneirismo do Terras sem Sombra na preocupação com questões ambientais“.
Entre os momentos apontados como mais marcantes, o Festival anuncia para 21 de novembro, em Beja, a estreia absoluta no território alentejano de uma ópera encenada: «Maria Stuart», de Martin Hennessy, numa produção da Compañía de Ópera LaJoven (Fundación Teatro Joven). Na programação musical, surge também a 18 de abril, em Ferreira do Alentejo, «Le Carnaval des Animaux», de Camille Saint-Saëns, sinalizando o diálogo entre repertório consagrado e proposta curatorial alargada.
O Prémio Internacional Terras sem Sombra regressa a 28 de março, em Santiago do Cacém, sob a presidência da Infanta D. Maria Francisca de Bragança, Duquesa de Coimbra, que afirmou sentir-se “honrada pelo convite para presidir ao Prémio Internacional Terras sem Sombra” e destacou que “este é também um festival com capacidade de unir“. O galardão apresenta-se em moldes renovados, com duas novas categorias: «Sons sem Sombra», dedicada a novos talentos musicais, e «Serviço à Comunidade/Cooperação Internacional», que se juntam às modalidades tradicionais de Música, Património Cultural e Salvaguarda da Biodiversidade.
A primeira paragem da temporada acontece já no fim de semana de 28 de fevereiro e 1 de março, em Arronches. No concerto de sábado à noite, a Igreja Matriz recebe o Zarębski Piano Duo, com o programa «Um Piano, Quatro Mãos: Obras de Compositoras Polacas e Portuguesas dos Séculos XX/XXI»; no sábado à tarde, a componente patrimonial aborda «Raia, Identidades e Contrabando: A Fronteira Invisível», incluindo “quadros vivos” encenados na freguesia de Esperança com participantes de Arronches e La Codosera; e no domingo, a ação de biodiversidade dedica-se a «As Mulheres na Agricultura: Guardiãs do Futuro Comum da Humanidade», refletindo sobre o papel histórico e presente das mulheres rurais na sustentabilidade e na preservação de saberes ligados à terra.
Fonte & Foto: Terras Sem Sombra