Guerra do estádio soma novo capítulo: Lusitano endurece discurso e critica liderança do Juventude

Lusitano acusa Juventude de incumprimento do acordo com a Câmara e admite avançar juridicamente após recusa na cedência do novo recinto.

Ano novo, mesma história. O diferendo em torno do novo Estádio do Juventude Sport Clube ganhou, no primeiro dia do ano, mais um capítulo, com a divulgação de um extenso comunicado do Lusitano Ginásio Clube que vem aprofundar a fratura entre os dois históricos emblemas eborenses. Apesar de a eliminação dos verdes e brancos da Taça de Portugal ter retirado impacto desportivo imediato à polémica, o conflito extravasou definitivamente para o plano institucional, jurídico e político, tendo o estádio como epicentro de uma rivalidade que há muito ultrapassou as quatro linhas.

No centro da posição do Lusitano está o acordo celebrado entre a Câmara Municipal de Évora e o Juventude, através do qual o clube azul e branco recebeu gratuitamente o direito de superfície de um terreno municipal com cerca de dois hectares, avaliado em mais de 4,6 milhões de euros, destinado à construção do novo estádio. Segundo o comunicado, este enquadramento faz com que a autarquia participe “de forma direta ou indireta em, no mínimo, 40% do investimento”, considerando o valor patrimonial do terreno e os custos estimados da obra.

A direção lusitanista sustenta a sua argumentação em cláusulas concretas da escritura celebrada a 23 de fevereiro de 2024. Entre elas, a que prevê a disponibilização anual de 212 horas de utilização do recinto à Câmara Municipal e, sobretudo, a que estabelece que “em situações pontuais, a autarquia pode requerer a utilização do Estádio, bastando para isso notificar o Juventude com 15 dias de antecedência mínima”. Mais incisiva ainda é a cláusula que determina que “o não cumprimento […] implica a perda de quaisquer direitos […] revertendo para o Município de Évora […] todas as edificações […] sem direito a qualquer indemnização”.

É neste enquadramento que o Lusitano contextualiza o pedido feito à Câmara para a eventual realização, em Évora, de um jogo dos quartos de final da Taça de Portugal, sublinhando que a indicação prévia do estádio foi uma imposição da Federação Portuguesa de Futebol para permitir o adiamento do encontro dos oitavos frente ao Fafe. A direção verde e branca garante que tentou ultrapassar divergências passadas, promoveu contactos diretos com o presidente do Juventude e aceitou discutir contrapartidas, mas acusa António Sousa de ter interrompido o diálogo e de ter recusado a cedência “contrariando e desrespeitando uma decisão já assumida pela CME”, chegando mesmo a revelar publicamente mensagens trocadas entre os presidentes de ambos os clubes.

O comunicado é particularmente duro na leitura política e ética do processo, apontando incoerências na posição do rival e recordando episódios passados. “Sobre o tão falado corte de relações efetuado pelo Lusitano em 2019, o mesmo foi feito quando o Presidente do Juventude Sport Clube decidiu abrir as portas do Estádio Sanches de Miranda para a equipa da Lusitano SAD treinar, estando o Lusitano em litígio com a Lusitano SAD, numa atitude de clara falta de solidariedade institucional para com o Lusitano”, lê-se. Ainda assim, o Lusitano afirma que decidiu levantar, com efeitos imediatos, o corte de relações institucionais imposto em 2019, retirando aquele que considera ser um argumento “conveniente” utilizado para justificar a recusa do estádio. “Vamos ver o que acontecerá agora em relação a este tema tendo o Lusitano posto um ponto final no mesmo.”

Apesar de o tema ter perdido atualidade competitiva com a eliminação da Taça, a direção lusitanista deixa claro que a questão está longe de encerrada. O clube anuncia que irá exigir esclarecimentos formais à Câmara Municipal de Évora e admite avançar “até às últimas consequências” para apurar responsabilidades, defendendo que não pode ser aceitável que um equipamento edificado em terreno público impeça a cidade de acolher eventos “com a dimensão e prestígio” de uma fase adiantada da prova rainha. Assim, mesmo sem jogo para disputar, a guerra do estádio continua e promete ainda novos desenvolvimentos no futebol eborense.

Fonte: Facebook Lusitano GC

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