A Inteligência Artificial (IA) generativa alcançou mil milhões de utilizadores a uma velocidade inédita na história da tecnologia, ultrapassando marcos como a eletricidade, a internet ou o smartphone. Segundo o Jornal Económico, a Microsoft destacou este feito hoje na Web Summit, onde o seu presidente, Brad Smith, alertou para o risco de um mundo dividido entre os que usam IA e os que ficam para trás.
No mesmo evento, o responsável sublinhou que “o futuro pertence a quem usar Inteligência Artificial”, frisando que a revolução tecnológica não está a chegar a todos. Em África, mais de 40% da população ainda vive sem eletricidade, lembrou. De acordo com o Jornal Económico, Smith apresentou ainda números reveladores: embora 7,4 mil milhões de pessoas tenham acesso à eletricidade e 5,5 mil milhões à internet, apenas 4,2 mil milhões possuem competências digitais. Isso significa que 3,9 mil milhões de pessoas poderão ficar excluídas da nova era digital.
Portugal também reflete essa divisão. Os dados divulgados pela Microsoft mostram que Lisboa lidera o uso da IA com 38%, enquanto distritos como Beja, Évora, Portalegre e Santarém se encontram entre as zonas com menor adesão à tecnologia, abaixo dos 7%. No Alentejo, esta diferença sente-se como mais um eco da desigualdade territorial que atravessa décadas: menos investimento, menor conectividade e, agora, menor presença digital.
O anúncio de que a Microsoft vai investir 10 mil milhões de euros em chips da Nvidia para o centro de dados de Sines surge como uma oportunidade estratégica para o país e para a região. Contudo, resta saber se este investimento poderá ter reflexos diretos no interior alentejano, onde a digitalização e o acesso a novas tecnologias ainda caminham a um ritmo lento.
Brad Smith defendeu ainda a criação de uma IA “responsável”, com respeito pela privacidade e adaptada às necessidades reais das pessoas. Advertiu que os grandes modelos de linguagem continuam dominados pelo inglês, deixando línguas como o português com apenas 2% do conteúdo usado no treino destes sistemas, apesar de haver mais de 236 milhões de falantes no mundo.
No final da sua intervenção, o presidente da Microsoft deixou uma nota de esperança: “Temos a oportunidade para construir melhor tecnologia”. No Alentejo, essa oportunidade traduz-se num desafio maior: garantir que a revolução digital não se faz apenas nas capitais, mas também nas planícies onde o futuro ainda demora a chegar.
Fonte: O Jornal Económico