Horas depois de se saber que a Vasp vai passar para periodicidade semanal a distribuição de jornais em vários distritos do interior, incluindo os três alentejanos – Beja, Évora e Portalegre -, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, reagiu publicamente à decisão, sublinhando que o Governo está atento ao impacto territorial, mas recordou que a empresa atua como “um monopolista” no mercado da distribuição de imprensa. Durante o briefing do Conselho de Ministros, o governante frisou que o Estado tem apoiado rotas da distribuidora ao longo dos últimos meses “através de acordos pontuais”, mas rejeitou qualquer leitura que transforme a decisão agora anunciada numa forma de condicionar a ação do Executivo.
Leitão Amaro afirmou que “não vejo informações dessas como formas de pressão”, e deixou um aviso claro: se fossem, “era mau caminho” e não teriam qualquer efeito. Em resposta às declarações da Vasp, o ministro reforçou que qualquer solução que envolva esforço financeiro por parte dos contribuintes, em nome da coesão territorial e do acesso à comunicação social, “deve envolver sempre mecanismos concorrenciais”. Ou seja, não haverá apoios automáticos.
Sem se comprometer com qualquer linha de financiamento futura, Leitão Amaro enfatizou que “nenhum operador […] pode tomar por garantido ou […] obter da parte do Governo nenhuma garantia que lhe vai dar nenhum subsídio dessa monta”. A posição marca um contraste evidente com o discurso da distribuidora, que insiste na necessidade de apoio público para manter rotas deficitárias no interior.
A reação do ministro surge no mesmo dia em que a decisão da Vasp provocou forte contestação nos territórios afetados e renovou críticas sobre a dependência nacional de um único operador. A resposta política do Governo, contudo, deixa claro que não aceitará que o monopólio da distribuição dite as condições de financiamento público.
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