O Museu de Banda Desenhada de Beja, o primeiro do género em Portugal, tem abertura prevista para 2027 e conta já com financiamento comunitário aprovado no âmbito do programa Alentejo 2030. O investimento global ascende a 1.274.027,69 euros, com uma comparticipação de 85%, e prevê a reabilitação de um edifício devoluto no centro histórico da cidade para acolher o novo equipamento cultural. De acordo com a Agência Lusa, a Câmara de Beja considera tratar-se de um projeto “há muito ambicionado”, que reforça a identidade cultural do concelho.
Em declarações à Lusa, o diretor da Bedeteca de Beja, Paulo Monteiro, explicou que a candidatura apresentada pela autarquia foi aprovada em outubro e que o calendário está já definido. “Em 2026, vamos abrir concurso para a obra e esperamos, em 2027, abrir o museu ao público”, indicou o responsável, que é também diretor do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja. O futuro museu reunirá um espólio que atravessa mais de um século e meio da história da banda desenhada, entre meados do século XIX e o início do século XXI.
O acervo integra perto de 1.500 pranchas de banda desenhada, além de guiões, materiais de desenho, fotografias, manuscritos e correspondência de quase uma centena de autores nacionais, entre os quais Rafael Bordalo Pinheiro, Stuart de Carvalhais e Carlos Botelho. “Temos uma série de materiais que permitem que se tenha realmente uma panorâmica muito alargada sobre a história da banda desenhada portuguesa”, sublinhou Paulo Monteiro à Lusa, destacando a importância patrimonial do conjunto.
A infraestrutura contará com sete salas de exposição permanente, duas para exposições temporárias, uma área dedicada a oficinas pedagógicas e três salas de leitura onde ficará instalada a Bedeteca de Beja, atualmente sediada na Casa da Cultura. Para a autarquia, este projeto vem consolidar a longa tradição da cidade no domínio da banda desenhada e posicionar Beja como um polo cultural de referência, integrando Portugal num roteiro internacional dedicado à chamada 9.ª arte, cuja história remonta a 1850.
Fonte: Lusa