Natal e Ano Novo: Évora vai gastar mais de 170 mil euros. Fatura já inclui bacalhau, mas não fogo-de-artifício

Contratos já publicados somam 102.928 euros, mas a iluminação natalícia e um concerto de fim de ano podem elevar a fatura para lá dos 170 mil euros. Fogo-de-artifício e atuação do DJ Oskar continuam sem valor conhecido.

O mês de dezembro é o clássico mês de despesismo, onde dinheiro público arde, quase literalmente, em minutos com lançamento de fogo-de-artifício e onde a vontade de ter luzes bonitas se sobrepõe à causa ambiental. Em Évora, a quadra festiva começa a ganhar contornos financeiros mais nítidos à medida que surgem contratos associados ao Natal e ao Ano Novo, embora parte relevante do investimento ainda esteja fora do registo público consultável.

O ponto de partida é o Portal BASE, a plataforma oficial que centraliza e publicita informação sobre contratos públicos em Portugal, incluindo procedimentos, adjudicações e contratos, sob responsabilidade das entidades adjudicantes. É aí que, neste momento, se encontram três despesas diretamente relacionadas com as iniciativas municipais de Natal.

A maior fatia, até agora, prende-se com o “Jardim de Natal 2025”. Está registada a adjudicação, por consulta prévia, do aluguer de casinhas de madeira, a iluminação de árvores e coreto e ainda o aluguer de carrosséis, num valor de 69.620 euros, à Dinamicanima, Lda. No mesmo âmbito, mas por ajuste direto, surge o aluguer de Casa do Pai Natal com animação, por 17.500 euros, à Troti Bike, Lda. Fora da lógica de decoração e entretenimento, aparece também a aquisição, mais uma vez por ajuste direto, de bens alimentares para cabazes de Natal, neste caso bacalhau, por 15.808 euros, à empresa José António Raimundo, Comércio de Produtos Alimentares Unipessoal, Lda.

Somadas, estas três rubricas perfazem 102.928 euros, que correspondem ao total oficial atualmente visível no portal. A questão é que esta soma dificilmente esgota o investimento municipal na época. Uma notícia que circulou no final de novembro apontava para cerca de 45 mil euros destinados à iluminação de Natal, referindo um aumento de 50% face ao ano anterior, mas esse montante não aparece, à data, nos registos consultados no BASE.

O mesmo sucede com a programação de passagem de ano. Para a noite de 31 de dezembro, está anunciado um concerto dos The Gift, como noticiámos no início do mês, também sem contrato público identificado, e o enquadramento possível é feito por comparação com valores recentemente associados a atuações da banda noutros municípios: 29.000 euros em Beja, 27.500 euros em Viseu e 24.000 euros em Lamego. Esse histórico aponta para uma média aproximada de 26 mil euros por espetáculo. Se aos 102.928 euros já publicados se juntarem os 45 mil euros da iluminação noticiada e esta média para o concerto, o total situa-se quase nos 174 mil euros.

Ainda assim, a fatura final poderá ser mais elevada. O valor do fogo-de-artifício permanece por apurar e o cachê do DJ Oskar, anunciado para atuar após o espetáculo pirotécnico, é igualmente desconhecido. Em termos práticos, há, por agora, um retrato parcial: uma base contratual já documentada e um conjunto de despesas expectáveis que, sem estarem consolidadas num único registo público, empurram a estimativa para um patamar superior.

Claro que, no contexto nacional, o investimento de Évora é tímido por comparação. Segundo o Eco, a maioria dos maiores municípios do país têm orçamentos avultados só com iluminação e descoraçoes. Por exemplo, Lisboa e Porto vão gastar 750 mil euros e 650 mil euros, respetivamente.

Apesar do tom crítico que dezembro inevitavelmente convoca, a leitura destes números não esgota a realidade do que está em causa. Em termos económicos, há um retorno claro: o aumento da atratividade turística e a dinamização do comércio local, fatores que podem contribuir para o crescimento da cidade durante uma época em que o apelo ao turismo e à visitação é maior. Além disso, a programação cultural e as iniciativas de rua estimulam o convívio e promovem um ambiente de interação social.

O essencial, por isso, está na transparência dos custos, na proporcionalidade das escolhas e na capacidade de medir resultados, seja em fluxos de visitantes, seja no impacto junto do tecido económico local, garantindo que o investimento público se traduz em benefícios identificáveis para a cidade e para quem a vive.

Dados: Portal BASE | Fontes: Eco, Rádio Campanário

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