No distrito mais renhido do Alentejo, António José Seguro venceu por uma margem mínima sobre André Ventura. O candidato socialista somou 31,09 % e 16.660 votos, enquanto o líder do Chega ficou logo atrás, com 30,98 % e 16.600 votos. Em mais de 54.000 boletins válidos, a distância entre os dois resume-se a apenas 60 votos, uma diferença que faz de Portalegre um dos casos mais equilibrados destas presidenciais.

Atrás deste duelo quase empatado, o eleitorado dividiu-se por várias candidaturas. Henrique Gouveia e Melo alcançou 12,78 % (6.849 votos) e João Cotrim de Figueiredo 11,37 % (6.095 votos), garantindo um espaço relevante no campo do voto independente e liberal. Luís Marques Mendes obteve 7,81 % (4.183 votos) e António Filipe 2,79 % (1.494 votos). As restantes candidaturas ficaram abaixo dos 2 %: Catarina Martins registou 1,54 % (827 votos), Manuel João Vieira 1,02 % (549 votos), Jorge Pinto 0,38 % (201 votos), André Pestana da Silva 0,14 % (77 votos) e Humberto Correia 0,10 % (52 votos). Os votos em branco representaram 0,96 % (523 boletins) e os nulos 1,12 % (613 boletins).
O mapa concelhio ajuda a explicar a fotografia final. Em vários concelhos, o nome de Ventura surge no topo, com vitórias expressivas em zonas do distrito mais próximas da fronteira. Noutros, é Seguro quem se impõe, segurando a capital de distrito e uma parte significativa do interior. O resultado distrital nasce desse equilíbrio: um mapa quase dividido ao meio, em que cada bloco soma bastiões próprios e perdas compensadas poucos quilómetros ao lado. A conjugação destas vitórias e derrotas locais empurra o PS para a frente, mas por uma margem tão curta que qualquer desvio de dezenas de votos em dois ou três concelhos poderia ter alterado o vencedor.
Num distrito marcado por assimetrias demográficas e por uma forte dispersão territorial, os números mostram que o eleitorado se repartiu entre várias opções, mas que a disputa central se travou entre Seguro e Ventura. Em Portalegre, a escolha presidencial não produziu um vencedor esmagador, antes uma “vitória à tangente” que sublinha até que ponto o mapa político local está fragmentado e competitivamente aberto.
Fonte: www.presidenciais2026.mai.gov.pt