Russiano celebra vitória do Lusitano na Taça de Portugal: «Defesas ganham campeonatos, ataques ganham jogos» (c/ golos)

O Lusitano de Évora volta a estar nos oitavos da Taça de Portugal, ao vencer fora o Sporting da Covilhã por 2-0.

O Lusitano de Évora voltou a fazer história na Taça de Portugal, ao vencer fora o Sporting da Covilhã por 2-0 e garantir, pelo segundo ano consecutivo, um lugar nos oitavos de final, num jogo em que a frieza de Tiago Batista e a solidez defensiva explicam boa parte da festa alentejana.

Tiago Batista resolveu o apuramento cedo. Marcou aos 8 minutos e voltou a marcar aos 26, com um golo soberbo, um remate logo após a linha de meio-campo que deixou o Estádio Santos Pinto em silêncio, depois de o Covilhã já ter falhado uma grande penalidade. Antes do segundo golo, Duarte Martins defendeu o penálti de Jailson Gomes, um momento que o treinador não tem dúvidas em classificar como chave na eliminatória. “Eu penso que é um minuto que é decisivo, mas até lá o Covilhã não tinha tido qualquer oportunidade”, sublinhou Pedro Russiano.

As dificuldades do relvado serrano também entraram no discurso. O treinador explicou que o penálti nasce de um lance em que a equipa parecia ter tudo controlado: “Jogando aqui no campo do Covilhã, que é sempre difícil, campo de dimensões pequenas, com a relva extremamente difícil, esse golo vem oriundo das dificuldades que a relva tem, porque o Cassiano estava completamente a controlar o lance, escorrega numa zona completamente enlameada e possibilita o Niang isolar-se e o Palancha fazer o penálti.» Depois, apareceu Duarte Martins: “É uma grande defesa, treinámos muito, é um grande guarda-redes, por isso é que lá está.”

A partir daí, o Lusitano soube sofrer. Russiano reconhece que houve fases de maior ascendente dos serranos, sobretudo no final da primeira parte e na entrada da segunda, mas sempre com a sua equipa ligada ao jogo: “A entrada do Covilhã na segunda parte foi forte, mas nunca teve uma oportunidade. Acho que a equipa esteve extremamente bem e, nas nossas saídas de transição, penso que podíamos ter feito mais um golo.”

Se houve algo que o treinador fez questão de reforçar foi a identidade defensiva do Lusitano. “Defesas ganham campeonatos, ataques ganham jogos. Nós com esta organização defensiva estamos sempre mais próximos de ganhar“, disse, sublinhando o plano traçado para travar jogadores como Niang, Jailson ou Fábio: “São jogadores extremamente perigosos e a qualquer momento podem desequilibrar e fazer um golo, mas nós também estivemos sempre coesos e sempre com as coberturas a esses jogadores, que são sempre difíceis, bem atentos e acho que os jogadores estão de parabéns.”

O resultado em Covilhã vale bem mais do que um simples apuramento. Representa a segunda presença consecutiva do clube eborense nos oitavos de final da Taça de Portugal, um feito que Russiano não relativiza: “Estes jogadores têm feito história. Não é fácil dois anos seguidos chegar aos oitavos de final de uma Taça de Portugal.” O treinador fez questão de alargar o mérito à estrutura do clube e também à equipa técnica anterior: “Este mérito é dos jogadores, é da equipa técnica, mas não esquecemos também a equipa anterior, o Ricardo Pessoa também fez duas eliminatórias, também as passou. Acho que isto é [resultado de um trabalho] coletivo.”

A relação de Russiano com a Taça vem de trás, até dos tempos de jogador. «Enquanto jogador, tive uma presença na final da Taça de Portugal com o Vitória de Setúbal», recordou, admitindo que chegar de novo ao Jamor é cada vez mais difícil, sobretudo com as meias-finais disputadas a duas mãos. Ainda assim, o treinador não esconde um desejo: “Aquilo que nós queremos é desfrutar, aproveitar ao máximo, mas o especial era que fosse no nosso velhinho Campo Estrela, que aí é sempre melhor e mais fácil de ultrapassar as eliminatórias.”

Ao olhar para a época passada, Russiano lembra que foi precisamente a Taça que acendeu a ligação entre equipa e bancada. “Foi a Taça que fez com que os adeptos se juntassem-se à equipa, foi a Taça que fez com que o campeonato se tornasse aquilo que foi, porque os adeptos do Lusitano passaram 14 anos na Primeira Liga, são adeptos exigentes, não se ficam contentes com o mínimo.” Confrontado com a ideia de que os sócios estão “mal habituados”, o treinador sorriu e concordou: “Muito mal habituados, mas são esses sócios que ainda continuam cá, são esses sócios que ainda mantêm viva a alma lusitanista.”

Agora, com o nome novamente entre as 16 melhores equipas da prova, o Lusitano vira atenções ao próximo compromisso, mas Russiano garante que o foco não muda: “Estou para servir o clube da melhor maneira e, independentemente do adversário, tentar ganhar.” Entre a frieza de Tiago Batista e a defesa decisiva de Duarte Martins, o treinador acredita que a equipa mostrou, em Covilhã, porque é que o coletivo unido faz a diferença.

Fonte & Foto: Lusitano Ginásio Clube | Vídeo: Futebol Albicastrense

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