A doença da língua azul continua a causar estragos entre os criadores de gado, sobretudo no Baixo Alentejo, onde já foram registadas 240 explorações com surtos ativos. De acordo com dados oficiais da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, mais de 50 mil animais morreram até junho deste ano. A reportagem foi exibida esta tarde no Primeiro Jornal da SIC, com base em informação recolhida no terreno.
Apesar de muitos rebanhos estarem vacinados contra os dois serotipos em circulação no país, as perdas continuam a acumular-se. A doença, que não tem cura e apenas admite tratamento com eficácia limitada, tem provocado prejuízos elevados, tanto na produção de borregos como de leite. “É um ano de recuperação, com o coração nas mãos, mesmo apesar da vacina”, lamentou um produtor entrevistado, que recordou ter perdido 10% do seu efetivo no ano anterior.
Os criadores e representantes do setor voltam a apontar o dedo ao Governo, acusando-o de falta de planeamento e de atraso na compra e distribuição das vacinas. Consideram que “2025 parece o take 2 de 2024”, com os mesmos erros repetidos: ausência de informação partilhada, recolhas tardias de cadáveres, testes pós-morte não realizados e falta de vacinas em vários períodos do ano.
O Ministério da Agricultura manteve a vacinação obrigatória apenas para os serotipos 1 e 4, deixando os serotipos 3 e 8 à decisão dos produtores e dos seus veterinários. Essa opção, segundo Ricardo Romão, da Universidade de Évora, deixou muitos rebanhos expostos.
No Alentejo, onde se concentra 66% da produção nacional de ovinos, a língua azul ameaça agora uma das principais atividades agrícolas da região. Ainda assim, o setor demonstra alguma resiliência, sustentado na valorização crescente do produto e na experiência adquirida com surtos anteriores.
A reportagem da SIC evidencia, contudo, um cenário de prejuízos profundos e preocupação crescente entre os pastores e agricultores, que pedem uma resposta mais célere e coordenada para travar a doença que teima em regressar ano após ano.
Fonte: SIC