Abrigo artificial em Alqueva é referência na conservação de morcegos

No território de Alqueva, um abrigo construído pela EDIA para proteger uma pequena colónia de morcegos evoluiu para um caso emblemático de conservação, acolhendo hoje cerca de 5.000 morcegos por ano.

A propósito do Dia Internacional da Vida Selvagem, a EDIA recorda a história de um projeto que nasceu de uma necessidade de obra e acabou por se afirmar como exemplo de conservação. “Mais do que uma medida de mitigação, este projeto tornou-se um exemplo de como grandes infraestruturas podem integrar soluções eficazes de conservação da natureza”, sublinha a empresa em publicação nas redes sociais, ao evocar o percurso do Abrigo de Alqueva.

Segundo a entidade, tudo começou no início da construção da barragem, quando os técnicos identificaram uma comunidade de morcegos que ocupava uma gruta na zona de intervenção. Naquele abrigo natural viviam cinco espécies: o morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi), o morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum), o morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros), o morcego-rato-grande (Myotis myotis) e o morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii). A presença desta colónia obrigou a repensar a obra e levou à decisão de criar uma estrutura alternativa que permitisse salvaguardar as populações existentes.

Perante esse cenário, a EDIA construiu uma galeria artificial para onde foram transferidos 42 indivíduos, replicando, tanto quanto possível, as condições da antiga gruta. A evolução foi rápida: “Cerca de um ano depois, o número já ascendia a várias centenas. Hoje, o abrigo acolhe, em média, cerca de 5.000 morcegos por ano”, regista a entidade. Este crescimento expressivo é apontado como prova de que a substituição de abrigos naturais pode resultar, quando acompanhada de planeamento e monitorização.

Na mesma publicação, a empresa frisa que “a substituição de abrigos naturais por estruturas artificiais pode ser viável, desde que sejam asseguradas condições adequadas: proximidade ao local original, estabilidade de temperatura e humidade, áreas de alimentação próximas e proteção contra a perturbação humana”. O Abrigo de Alqueva é hoje classificado como Abrigo de Importância Nacional e foi o primeiro abrigo artificial em Portugal a obter este estatuto, além de um dos primeiros na Europa a registar nascimentos em contexto artificial, o que reforça a relevância científica do projeto.

As espécies presentes apresentam diferentes estatutos de conservação, incluindo o morcego-de-ferradura-mourisco, classificado como “Em Perigo”, o que aumenta a responsabilidade de manter este refúgio em condições ótimas. “Os morcegos, além do seu valor ecológico, desempenham um papel fundamental no controlo de insetos, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas e para uma agricultura mais sustentável”, destaca ainda a EDIA, sublinhando a ligação entre conservação da natureza e a dinâmica agrícola em torno de Alqueva.

Fonte & Foto: EDIA

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