O Alentejo volta a surgir no centro do debate europeu sobre matérias-primas críticas, depois de estudos geológicos do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) terem identificado a presença de minerais estratégicos no subsolo da região. De acordo com o Jornal de Notícias, estes recursos são considerados essenciais para sectores como a mobilidade elétrica, a indústria aeroespacial, a eletrónica e a defesa, num momento em que a União Europeia procura reduzir a dependência externa, em especial da China.
Apesar do potencial reconhecido, a exploração está ainda longe de se concretizar. O geólogo Luís Martins explica que o levantamento realizado em 2022 é preliminar e que os trabalhos feitos até agora não permitem avançar para uma fase industrial. “Estamos muito longe de uma possível exploração”, afirma, referindo que existiu apenas algum interesse inicial de empresas privadas para prospeções exploratórias em zonas do Alto Alentejo, como o Vale de Cavalos, no distrito de Portalegre.
No território alentejano, áreas como Monforte-Tinoca, Assumar, Crato-Arronches e Penedo Gordo surgem como potenciais polos de matérias-primas tecnológicas. Em Penedo Gordo foram identificados elementos como nióbio, zircónio, háfnio, ítrio, escândio e tântalo, minerais cada vez mais procurados por indústrias de alto valor acrescentado. Embora nem todos sejam classificados tecnicamente como terras raras, muitos são considerados estratégicos ou críticos para a transição energética e digital.
Segundo o Jornal de Notícias, este esforço de mapeamento insere-se numa estratégia europeia mais ampla, que inclui um pacote de financiamento de três mil milhões de euros anunciado por Bruxelas para projetos de extração, refinação e reciclagem. Para Luís Martins, Portugal pode assumir um papel relevante neste novo ciclo. “Fazemo-lo melhor do que muitos países da Europa, mesmo em termos de impactos ambientais”, sustenta, defendendo que o país reúne condições para beneficiar de uma oportunidade estratégica que tem sido travada sobretudo por opções políticas.
Fonte: Jornal de Notícias