Em Monsaraz, 38 presépios em cerâmica reinventam a Natividade

De 1 de dezembro a 6 de janeiro de 2026, a vila medieval de Monsaraz recebe 38 presépios em cerâmica da coleção Cristóvam Dias, numa exposição que cruza tradição, memória e diversidade artística.

Na calma da vila muralhada de Monsaraz, a cena da Natividade surge multiplicada em dezenas de versões. Na Igreja de Santiago, abre ao público, de 1 de dezembro a 6 de janeiro de 2026, a exposição “Natividade. Presépios na Coleção Cristóvam Dias”, composta por 38 presépios em cerâmica pertencentes à Câmara Municipal de Matosinhos. A mostra pode ser visitada diariamente das 9h30 às 13h e das 14h às 17h.

As peças expostas fazem parte do espólio do fotógrafo José Cristóvam Dias (1931-2014), formado por cerca de três mil peças de louça utilitária e figurado, doadas à autarquia pelos descendentes do colecionador. A partir desse conjunto vasto, a exposição em Monsaraz propõe um olhar concentrado sobre a Natividade, reunindo presépios de carácter clássico, naïf, minimalista, grotesco ou caricatural.

O percurso expositivo evidencia também a geografia desta tradição. Os presépios em cerâmica chegam de vários centros oleiros portugueses, como Estremoz, Évora, Barcelos, Famalicão, Santo Tirso, Bisalhães, Bragança e Caldas da Rainha, mas incluem igualmente exemplares provenientes do Brasil, México, Peru e China. Esta combinação de origens sublinha a dimensão plural e internacional da coleção, onde a mesma cena bíblica é interpretada por diferentes mãos, sotaques e imaginários.

Entre os autores representados em Monsaraz encontram-se nomes amplamente reconhecidos na arte do figurado, como Manuel Macedo, Júlio Alonso, Laurinda Pias, Conceição Sapateiro, Delfim Manuel, Sérgio Amaral, Fábrica Bordalo Pinheiro, Isabel Reis e Fernando Baraça. A exposição destaca o património artístico reunido ao longo de décadas por Cristóvam Dias, mas também a sua relação pessoal com os artesãos, em especial com Manuel Macedo, com quem manteve uma proximidade assinalável.

Em Monsaraz será possível ver obras marcantes deste criador, desde presépios de inspiração minhota, onde surgem elementos simbólicos como o galo de Barcelos, até composições de maior complexidade narrativa. No conjunto, cada peça acrescenta uma nuance ao tema da Natividade, compondo um itinerário visual que cruza devoção, memória e observação do quotidiano.

Ao trazer a exposição “Natividade. Presépios na Coleção Cristóvam Dias” para a Igreja de Santiago, Monsaraz torna-se palco de um encontro entre tradição popular e criação contemporânea. O contacto próximo com estes presépios permite ao público reconhecer a riqueza cultural associada ao presépio em Portugal e no mundo, num diálogo entre diferentes regiões, técnicas e sensibilidades artísticas.

Fonte & Foto: Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz

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