No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, assinalado esta sexta-feira, a Pordata divulgou novos dados sobre a evolução da pobreza e das desigualdades em Portugal. O retrato nacional mostra uma ligeira descida da taxa de risco de pobreza, de 17% em 2022 para 16,6% em 2023 (dados mais recentes), mas também um agravamento entre os idosos e quem vive sozinho.
Em termos regionais, Évora surge como uma das exceções positivas, num país ainda marcado por fortes disparidades territoriais. Segundo os dados das declarações de IRS de 2023, Évora tem um rendimento médio mensal de 1.730 euros entre os 20% mais ricos (S80), e 723 euros entre os 20% mais pobres (S20) — o valor mais alto fora da Área Metropolitana de Lisboa. Estes números colocam o concelho eborense muito acima da média nacional, onde o S20 é de apenas 570 euros.
10 MUNICÍPIOS COM MENORES/MAIORES VALORES DE S20

Legenda
Fonte: INE. Link: Distribuição do rendimento bruto declarado deduzido de IRS liquidado (€) dos sujeitos passivos
- S20 – valor de rendimento que separa os 20% de rendimentos mais baixos dos restantes. A título de exemplo, em Portugal, 20% dos sujeitos passivos declaram rendimentos brutos deduzidos de IRS inferiores a 570€. O S20 tem como contraponto o S80.
- S80 – valor de rendimento que separa os 20% de rendimentos mais elevados dos restantes. Em Portugal, só 20% dos sujeitos passivos é que declaram rendimentos brutos deduzidos de IRS acima de 1571€.
- S40 e S60 definem-se de forma análoga.
Na comparação nacional, apenas Oeiras apresenta um valor superior no patamar mais baixo de rendimentos, com 755 euros. Em sentido contrário, há 77 municípios portugueses onde os 20% mais pobres vivem com menos de 500 euros mensais, e em casos extremos, como Resende ou Montalegre, nem chegam aos 400 euros.
No conjunto do país, a Grande Lisboa continua a liderar no rendimento médio per capita (1.375 euros), enquanto o Tâmega e Sousa regista o valor mais baixo (883 euros). A Península de Setúbal surge com 1.224 euros, ligeiramente abaixo de Évora.
Apesar da melhoria da taxa global de pobreza, os idosos e os reformados continuam entre os grupos mais afetados: 21,1% dos portugueses com mais de 65 anos vivem abaixo do limiar da pobreza. Já entre as famílias monoparentais, quase um terço continua em situação de vulnerabilidade.
A Pordata nota ainda que metade das famílias portuguesas vive com menos de 1.054 euros por mês, e que Portugal caiu para a 19.ª posição na União Europeia no rendimento mediano mensal, tendo sido ultrapassado pela Letónia.
No contexto local, os números reforçam o contraste entre o interior e o litoral, mas também mostram que Évora tem resistido melhor à degradação dos rendimentos, situando-se entre os concelhos mais equilibrados na distribuição.
Fonte: Pordata