Évora_27 inicia programação artística com quatro dias dedicados a “Sentir a Terra”

Primeira etapa da Capital Europeia da Cultura propõe concertos, workshop e instalação sonora que exploram a ligação entre música e território alentejano

A programação artística da Capital Europeia da Cultura (CEC) Évora_27 arranca esta quinta-feira com a iniciativa “Sentir a Terra”, que se estende até domingo e reúne concertos, um workshop e uma instalação sonora em vários espaços da cidade. O evento marca o início oficial do programa artístico da CEC e pretende oferecer ao público “uma escuta alargada sobre a relação entre a música, o território e a paisagem sonora, com particular foco na ligação ao Alentejo”, informou a Associação Évora 2027, entidade responsável pela organização.

De acordo com a Agência Lusa, “Sentir a Terra” é o primeiro capítulo do projecto “Lá nas Árvores”, que se prolongará até 2027, com os próximos momentos intitulados Levantar Voo e Coexistir, Construindo Futuro. Este ciclo tem como ambição explorar a criação artística a partir da ecologia, do património e da escuta sensível dos lugares.

O arranque da programação faz-se com o duplo concerto “O Canto das Sementes”, interpretado pelo Ensemble DME no auditório do Colégio Mateus d’Aranda. O primeiro, agendado para esta quinta-feira, apresenta obras de Jaime Reis, Sara Carvalho, Miguel Azguime e a estreia mundial de Iconographiae, do compositor italiano Valerio Sannicandro. O segundo concerto, na sexta-feira, será dedicado a obras de jovens compositores — Luana Ambrósio, João Ricardo, Yanis Lel-Masri e Cristóvão Almeida — criadas em torno de temas ambientais e digitais, como a desflorestação e a poluição nas redes.

Segundo a Lusa, o programa prossegue no sábado, às 18h, com o concerto-conferência “Paisagem Sonora Natural e Património Imaterial do Alentejo”, protagonizado pelo compositor Carlos Marecos e pela pianista Ana Telles. No domingo, o Palácio D. Manuel acolhe um workshop orientado por Jaime Reis e, ao final da tarde, um concerto de música acusmática, onde se destaca a obra Viola Sylvestris, do austríaco Thomas Gorbach, e a estreia de uma nova composição de Mariana Vieira, inspirada no som dos chocalhos.

Paralelamente, o Coreto do Jardim Público recebe uma instalação sonora nas tardes de sábado e domingo, composta por peças acusmáticas selecionadas através de uma open call internacional. A proposta, segundo a organização, convida o público a “uma escuta mais atenta às diferentes paisagens sonoras representadas nas obras”.

O projecto “Lá nas Árvores”, integrado na candidatura de Évora_27, é uma co-produção da Universidade de Évora, do Projecto DME e da Associação Lisboa Incomum, sob direcção artística de Ana Telles — um encontro entre criação contemporânea e o pulsar antigo da terra alentejana, no compasso de quem escuta o território antes de o reinventar.

Fontes: Évora_27, Lusa

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